22/09/2008

Crise causa temor pelo futuro

Fonte: Jornal da Tarde

Indústria e comércio podem rever pedidos e setor imobiliário também ligou o sinal de alerta

Embalados pela expansão do mercado doméstico, vários setores da economia já vêem necessidade de ajustar os planos para enfrentar as conseqüências da crise financeira internacional.

Indústria e comércio atualmente estudam a revisão de pedidos para o fim do ano, de um lado preocupados com a alta do dólar e de outro com a possibilidade de redução das encomendas.

Isso porque o crédito ao consumidor deve ficar mais escasso, com prazos mais curtos e juros maiores. No setor imobiliário, a turbulência não deve comprometer as operações e o bom momento, já que as principais fontes de crédito são internas, mas a alta dos juros pode produzir reflexos para o futuro.

No front do agronegócio, além da possível redução na demanda mundial por alimentos, analistas acreditam que o financiamento privado para o plantio das lavouras em 2009 se tornará mais criterioso, trazendo mais dificuldades aos produtores.

A possibilidade de aperto no crédito ao consumidor preocupa o varejo, mas, apesar das incertezas, a crise internacional não deve estragar a festa de fim de ano, na visão de empresários do comércio e da indústria e de economistas.

A expectativa é de que o volume de vendas em dezembro cresça 6% ante igual período de 2007, calcula o diretor da RC Consultores, Fabio Silveira, com base na Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro de 2007, houve alta de 9,5% em relação a 2006.

Mas não há dúvida de que o crédito será afetado, com prazos mais curtos e juros maiores.

Resgate americano
Para tentar aplacar a crise, o governo dos Estados Unidos fará o maior resgate financeiro desde a Grande Depressão dos anos 30, investindo US$ 700 bilhões. Esse é o valor que consta no projeto entregue ontem de manhã por representantes do governo ao Congresso.

O texto pede a autorização de deputados e senadores para que a Secretaria do Tesouro possa recomprar hipotecas e dívidas podres até esse limite ao longo dos próximos dois anos.

O plano também prevê o aumento do limite de endividamento do setor público de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões, mas não detalha o que o governo obterá em troca das instituições financeiras. “É um pacote grande porque era um grande problema”, declarou Bush. “Vamos trabalhar com o Congresso para finalizar o projeto de lei o mais rapidamente possível.”

Bush disse ainda que seu instinto inicial foi deixar os mercados operarem livremente. No entanto, o presidente contou ter sido aconselhado de que seria necessário maciço auxílio público para poder contornar a crise.

Combate à crise
“É um pacote grande porque era um grande problema. Vamos trabalhar com o Congresso para finalizar o projeto rapidamente”
George W. Bush, presdente dos Estados Unidos, ao anuncioar investimento de US$ 700 bilhões contra a crise.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.