27/01/2008

Crise financeira derruba ações de construtoras

Fonte: O Globo

Turbulência mundial faz papéis caírem em relação
ao Ibovespa

SÃO PAULO. Ações de empresas do setor de construção, lançadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos dois anos, já sentem os efeitos da turbulência financeira detonada pela crise imobiliária americana. Levantamento feito pela Economática, a pedido do GLOBO, com 30 companhias imobiliárias listadas no pregão, mostra que os papéis de 22 delas apresentaram, na média, queda de 29,9% em relação ao Ibovespa (índice que mede o comportamento das ações mais negociadas na bolsa paulista) no período de 31 de dezembro de 2006 a 23 de janeiro deste ano. Quando se considera os papéis das 30 empresas, a queda é de 4,2%.

As ações de empresas como Klabin Segall, Brascan Residencial, CR2 Empreendimentos Imobiliários, Tecnisa e Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário apresentaram quedas superiores a 50%. Fernando Exel, presidente da Economática, observa que as empresas que entraram na bolsa no ano passado tiveram a performance dos seus papéis analisadas desde a data da oferta primária.

Por trás desse mau comportamento dos papéis, segundo os analistas, há pelo menos outros dois fatores determinantes, além da crise americana: o não-cumprimento, pelas empresas, de parte dos lançamentos de empreendimentos previstos em seus planos estratégicos; e a falta de uma base de dados sobre esse mercado que servisse de referência aos analistas. E, com o aumento da turbulência nos mercados internacionais, a saída dos investidores estrangeiros — que no lançamentos das ações (IPOs), no ano passado, adquiriram quase 80% dos papéis ofertados) — acabou se acelerando.

Apesar dos problemas, avaliação é positiva

O gerente de Relações com Investidores da CR2 Empreendimentos Imobiliários, Daniel Magno, confirma que o setor “sofreu muito com a saída dos gringos”, e que o não-cumprimento de planos de investimentos por algumas empresas ajudou na queda dos papéis:

— Essas empresas estão sendo punidas pelos investidores. Quem prometer e entregar será premiado pelo mercado com a volta dos preços.

Já Giuseppe Masi, sócio da KPMG, acredita que a saída dos estrangeiros foi um fator adicional, e pouco teve a ver com esses problemas:

— Esses investidores provavelmente tiveram que tirar dinheiro daqui para cobrir perdas em outros mercados.

Apesar dos problemas, a avaliação dos especialistas para o setor é positiva. A maioria das empresas brasileiras está capitalizada, o crédito para o setor é abundante e o potencial de expansão do mercado é enorme.

— De fato, não existe um fundamento nos resultados das empresas que justifiquem essa queda nas ações. A dinâmica é mais global e por fatores hexógenos ao Brasil — diz Milena Zaniboni, analista da Standard and Poor’s (S&P). — O cenário ainda é muito favorável ao setor, principalmente por causa do crescimento do crédito imobiliário no país.

No caso da CR2, Magno afirma que, apesar das turbulências, os planos de investimentos serão mantidos e que, este ano, os lançamentos devem somar R$1,2 bilhão, quer dizer, mais que o dobro do que foi feito em 2007.

 

 

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