30/10/2006

Cuidados na compra do usado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aumenta procura de imóveis antigos, mas é importante verificar estado de conservação e documentos

Com o recente boom de crédito imobiliário no País, a venda de usados cresceu. A última pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) registrou aumento de 5,89% no número de negociações na cidade de São Paulo. “Dos 265 imóveis vendidos, 58,87% são apartamentos e 41,13% casas”, afirma o presidente da entidade, José Augusto Viana.

Entre as razões para a escolha do usado estão o tamanho e o preço. Comparados aos novos, os imóveis antigos trazem metragem maior para o mesmo número de dormitórios. Os mais procurados estão na faixa de R$ 100 mil e têm dois quartos, de acordo com o Creci-SP.

Cuidados

No entanto, da escolha do imóvel até a assinatura do contrato, a compra do usado é mais trabalhosa. O comprador deve observar o estado de conservação do imóvel e, principalmente, a documentação. “Ele deve estar atento a todas as informações referentes ao imóvel, para não ter surpresas desagradáveis depois de efetuada a compra”, afirma o advogado especialista Julimar Duque Pinto.

Algumas medidas podem ser tomadas para que o futuro proprietário não caia em armadilhas. Entre elas estão: Certidão Vintenária, matrícula do imóvel, Habite-se e certidão de tributos imobiliários – que mostra se há dívidas de Iposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Os dados podem ser conseguidos nos cartórios de Registros de Imóveis e na Prefeitura.

O administrador de empresas, Daniel Haddad, por exemplo, teve dificuldades para concretizar a compra do imóvel. “Já estava praticamente tudo acertado. No entanto, a herdeira do imóvel era menor de idade”, diz Haddad. E a venda foi suspensa. “Até que o juiz liberasse a venda, ia demorar muito tempo. Achei melhor procurar outro apartamento.”

O empresário Luiz Pimentel só descobriu que havia uma ação de penhora do seu imóvel na hora de vender. Ele explica que, quando adquiriu o apartamento, tomou o cuidado de verificar a documentação do imóvel e do último proprietário, mas não foi mais a fundo. “Um dos antigos donos do apartamento tinha uma ação judicial contra uma empresa e perdeu. O imóvel estava como garantia da dívida”, conta Pimentel. Foi preciso a ajuda do advogado para que ele conseguisse desvincular o imóvel da garantia e fazer o negócio.

Para evitar problemas como o do empresário, a recomendação é pesquisar o passado do imóvel. “É fundamental que o comprador faça um levantamento criterioso de todos os proprietários nos últimos cinco anos. E também das empresas, se eles possuírem”, explica o advogado Eduardo Benetti. Segundo ele, o comprador deve ainda ter cuidado ao assinar o contrato e cautela com financiamentos.
 

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