28/09/2007

Da casa dos pais para o aluguel

Fonte: Jornal da Tarde

Procura de locação por parte de jovens que buscam independência tem aumentado ainda mais

José Luis da Conceição/AEZap o especialista em imóveisAs quitinetes são uma boa opção para quem quer sair da casa dos pais, mas não tem renda para aluguéis altos

A busca pela independência é algo que costuma acompanhar os jovens desde a adolescência. Mas é somente quando entram para o mercado de trabalho e começam a juntar os primeiros salários que o desejo de se mudar da casa dos pais deixa de ser uma mera especulação para se tornar realidade. E aqueles que ainda não têm condições nem de pensar na casa própria acabam recorrendo ao nem sempre bem-vindo aluguel.

A julgar pela procura registrada pelo mercado imobiliário, o número de jovens ‘independentes’ têm crescido. São homens e mulheres a partir dos dezoito anos de idade que buscam mais liberdade e privacidade longe do convívio dos pais. Entram no mercado à caça de imóveis de um ou dois dormitórios, com uma vaga de garagem, e cujo aluguel varie entre cerca de R$ 500 e R$ 1 mil.

“São jovens que estão saindo da casa dos pais para se tornarem independentes”, define a gerente de locação e vendas da Lello Imóveis, Roseli Hernandes. “Eles procuram, principalmente, por apartamentos de um dormitório porque pensam que é mais em conta. O valor do condomínio tem de ser baixo, e é imprescindível que o imóvel seja próximo ao trabalho ou à faculdade”, explica.

Roseli conta que os mais jovens costumam contar com o apoio dos pais. “Geralmente, na fase do aluguel, os pais acompanham os filhos na visita e ajudam a escolher o imóvel”, afirma. Segundo ela, as regiões mais procuradas são consideradas as mais agitadas e bem localizadas, como Vila Madalena, Perdizes, Moema, Jardins, Tatuapé e Mooca. “Tudo o que tem para alugar nessas regiões aluga muito rápido.”

Nos casos em que os pais não apóiam e a situação financeira não é das melhores, mas o desejo de liberdade é grande, a solução é dividir o imóvel com um amigo. “Aqueles não têm ou não querem o apoio dos pais procuram morar com colegas ou em grupo para dividir as despesas. Mas hoje em dia nem os jovens estão querendo fazer isso. Não tem tanta freqüência”, conta Roseli.

Essas situações acabam sendo mais comuns entre estudantes, que montam repúblicas para economizar gastos. Quem acaba não gostando são alguns proprietários, que temem possíveis reclamações por conta das ‘festinhas’ ou ainda danos ao imóvel. “Isso acontece mais com quem já teve uma experiência ruim. No geral, o proprietário não tem preconceito. Só quer que a gente faça uma locação segura e de forma consciente”, analisa ela.

Para provar

Quem pensa que, pelo fato de os jovens nem sempre ganharem muito bem, a inadimplência acaba sendo maior nesse meio está enganado. Segundo a gerente da Lello, o raciocínio não é válido, e o número de jovens inadimplentes é baixo. “É nessa hora que o jovem quer se firmar e provar que é competente e responsável, que tem condições de morar sozinho. Ele faz o possível para manter as contas em dia”, diz.

Como, às vezes, a ansiedade em sair da casa dos pais é tão grande que chega a deixar o jovem ‘cego’ diante de algumas responsabilidades. “À s vezes a imobiliária até ajuda porque alguns não tem noção de que, além do aluguel, também têm de pagar o condomínio, as contas de água, luz, IPTU e ainda se manter.”

De acordo com Roseli, é aconselhável que a renda mensal do jovem seja três vezes o valor de todos os encargos. Para quem gasta R$ 900 com aluguel, condomínio e outros tributos, exemplifica a gerente da Lello, o ideal é que o salário seja de, no mínimo, R$ 2,5 mil. “A saída da casa dos pais tem de ser bem planejada para que o jovem não quebra a cara depois.”

 

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