30/10/2008

“”Dá para comer no chão””…

Fonte: Jornal da Tarde

Fora o exagero da velha expressão popular, produtos garantem a higienização de sua casa

Uma casa que combate bactérias e microorganismos, com produtos mais fáceis de limpar, ajuda a manter a saúde do morador, mas sem deixar de lado o conforto e beleza. Apesar de parecer uma residência de filme de ficção, essa casa existe e foi construída em Bertioga, no Litoral Paulista.

“Desenvolvemos uma casa para lazer, de fácil manutenção e melhor higiene possível, com soluções para preservar a saúde e ainda aproveitamos todos os recursos naturais da Mata Atlântica”, conta a arquiteta Eliane Alcantara Leitão, uma das responsáveis pelo projeto Casa Saudável.

A casa de veraneio foi planejada pela Microban, empresa especializada em aditivos que combatem o excesso de bactérias e microorganismos. Com parceiros da construção civil, desde a obra e acabamento até às utilidades domésticas, tudo foi feito com um objetivo claro. “É uma casa simples de limpar, mas confortável e ideal para o lazer. Ela não dispensa a higiene doméstica comum, mas tem produtos mais eficazes nessa linha e com maior durabilidade”, afirma Toshiaki Ouchi, diretor comercial da empresa.

Na parte arquitetônica, o projeto de Eliane optou por um pé-direito alto, para trazer mais luz e frescor à casa. “Optamos por utilizar o máximo da parede com um caixilho, aproveitando a iluminação natural. Também viramos todos os dormitórios para a face norte, para que esses recebessem luz todos os dias”, explica a arquiteta.

No entanto, são os materiais escolhidos que trabalham no combate de microorganismos, pois são fabricados com um componente específico para essa função. Todos os revestimentos cerâmicos ou porcelanatos foram aplicados com o rejunte epóxi da Gyotoku, por exemplo, que contém o Microban em sua composição para o combate a proliferação de bactérias. A tecnologia também ajuda a preservar a cor da argamassa, sem o escurecimento com o passar do tempo.

Os quarto do bebê recebeu o piso laminado Durafloor, que tem a ação antimicrobiana, assim como as pedras da pia tanto dos banheiros quanto da cozinha receberam o tampo de quartzo Silestone, que apresenta a mesma propriedade. “Para essas áreas, o combate aos microorganismos é muito importante. Se evita a contaminação de doenças, que, no caso da cozinha, pode ocorrer com o manuseio de alimentos, por exemplo”, comenta Ouchi.

Na conclusão do projeto, o custo final é maior nas intervenções arquitetônicas do que nos materiais escolhidos. Segundo Oichi, a diferença de preço de um material de construção com a solução de combate a bactérias e fungos não encarece os produtos a ponto de inibir o consumo. “Geralmente, são 5% mais caros. Mas, dependendo do produto, isso é incorporado e passa a ser um diferencial”, afirma o diretor da Microban.

A arquiteta acredita que esse custo é compensado quando se pensa em bem-estar. “É um custo-benefício que não tem nem como calcular quando se trata de saúde, além de trazer mais durabilidade aos produtos por não permitir a ação de agentes que causam a degradação”, avalia Eliane.

Tudo começou no piso
Primeiro produto do gênero no País foi o laminado da Duraflor. Agora, já é tendência. O mercado de construção civil oferece desde 2005 produtos com ação antimicrobiana. Um dos primeiros a trabalhar nessa linha foi a Duraflor, que investiu na parte de pisos laminados com essa solução. “Fomos atrás dessa tecnologia e criamos uma linha. Agora, lançamos as placas de MDF da Duratex, que também recebem a solução no revestimento e têm esse diferencial”, comenta a gerente de marketing e Produtos da empresa, Renata Braga.

A aposta da Duratex é no crescimento desse mercado com a ampliação dos consumidores com a saúde e bem-estar. “É uma onda crescente, não uma moda. No exterior, esse mercado é bastante difundido”, conta a gerente.

Outra empresa que adicionou essa tecnologia aos seus produtos é a Deca. Desde 2006, os assentos sanitários produzidos em poliéster e polipropileno recebem o aditivo. “Estamos desenvolvendo um trabalho de divulgação nos pontos-de-venda, pois percebemos que o consumidor começa a procurar esse tipo de produto nas lojas”, conta Edilson Anholon, gerente de desenvolvimento de produtos da marca. “Os próximas peças a receber essa tecnologia são o botão de acionamento das caixas de descarga e a ducha higiênica”, conta.

A Gyotoku lançou três produtos nessa linha este ano, com o nome de família Bioprotege. Um desses é um selante aerosol, que pode ser aplicado nos rejuntes já instalados. O outro é o impermeabilizante para pisos de porcelanato polido, que evita manchas.

No entanto, o que tem a maior durabilidade é o rejunte epóxi, que vem com aditivo antimicrobiano em sua composição. “Nessa área há uma demanda muito grande no mercado. Ninguém gosta de ver as manchas escuras entre os revestimentos”, diz William Medeiros, gerente de produtos da Gyotoku.

No mercado de tintas, os artigos fabricados com base de água levam componentes antibacterianos em sua composição, mas para a preservação do próprio produto e de sua aplicação. “Ela protege a saúde do morador por não permitir a instalação de fungos na parede ou teto, mas não faz o combate como as soluções antimicrobianas. Ainda é um produto em desenvolvimento”, conta Roberta Gonçalves, supervisora do laboratório de microbiologia da Basf.

Utilidades domésticas também são protegidas
O mercado de utilidades domésticas também investe em soluções antimicrobianas. Os produtos utilizados na decoração da Casa Saudável, em Bertioga, foram escolhidos por conterem agentes antimicrobianos.

Um desses fabricantes é a Tramontina, que apresenta uma linha de facas profissionais e domésticas com esse composto. Segundo a empresa, esse produto está no mercado desde 2003, e, ano a ano, os volumes de vendas dos itens com essa tecnologia estão crescendo. Esse sucesso fez com que, recentemente, a empresa apresentasse novos produtos nessa área, com uma linha de talheres infantis, tábuas de madeira e outros utensílios domésticos.

A Plasútil também investiu nessa área há três anos. Segundo o diretor comercial da empresa, Edson Begnami, a preocupação surgiu por causa das questões relacionadas às tábuas para corte de alimentos. “A partir disso, levamos essa solução para uma linha de produtos para cozinha e bebê. O próximo a receber será o rodinho de pia, que não vai mais ter fungos na borracha”, conta.

A Origin também buscou a tecnologia antimicrobiana para manter seus produtos no mercado. Especialista em artigos domésticos em madeira, como tábuas de corte, saladeiras, pratos, bandejas e tigelas, a empresa usa o aditivo para o uso sem restrições no quesito de higiene.  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.