18/03/2007

De soluções simples à alta tecnologia

Fonte: O Estado de S. Paulo

De um lado, itens como luz natural no cômodo; de outro, torneira pressurizada que dá sensação de mais água

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisModelo – Casa erguida no conceito de sustentabilidade: custo foi igual a de um imóvel convencional

Usando desde soluções simples – como projetar o ambiente para que seja possível a entrada de luz natural – até tecnologia mais avançada – um sistema de aquecimento solar, por exemplo -, é possível construir casas e prédios em harmonia com a natureza, a comunidade e os ocupantes.

Para completar o conceito, somam-se um menor consumo de energia e água e a melhor administração da eliminação dos resíduos, tanto na execução da obra quanto no momento em que ela já está habitada.

Essa é a proposta da construção sustentável, idéia que está em evidência por conta do perigo de esgotamento dos recursos naturais em todo o mundo e do avanço do fenômeno do aquecimento global.

Aplicar os conceitos de sustentabilidade nada mais é, na opinião do arquiteto George Frug Hochheimer, sócio do escritório Hochheimer Imperatori Arquitetura, do que utilizar os conceitos básicos da própria arquitetura.

Segundo o arquiteto, o grande destaque no conceito de edifício sustentável são os elementos tecnológicos. Além do aproveitamento da luz natural, no lugar da artificial, durante o dia, ele cita a alternativa de captar a ventilação natural do local, para reduzir o uso de ar-condicionado. Na economia de água, as soluções possíveis são sistemas de reuso. Dependendo do tratamento, a água poderá ser utilizada para a descarga de vasos sanitários ou rega de jardins; outra via é a instalação do aquecimento solar (associado a algum outro sistema a gás ou elétrico); ou um chuveiro pressurizado, que aumenta a sensação da quantidade de água; e torneiras com areador – o ar mistura-se com a água, aumentando a pressão e causando a sensação de volume maior.

Para Hochheimer, as soluções para reduzir o consumo de energia e água podem fazer cair o custo de manutenção em torno de 30% a 40%. “Mas o investimento inicial tem que ser correto”, ressalta.

Projeto

Os especialistas indicam que, para um empreendimento ser realmente sustentável – e funcionar bem como tal -, o cuidado com o conceito deve estar presente desde o início da elaboração do projeto. E a preocupação tem de continuar mesmo depois de a obra concluída, com a conscientização dos moradores. “O objetivo é não só construir mas saber operar um empreendimento sustentável”, afirma a diretora da SustentaX, Paola Figueiredo . Um ponto importante é a escolha dos materiais para a obra, como madeiras certificadas ou de reflorestamento; colas, tintas e vernizes sem compostos voláteis; e materiais reciclados.

Outro cuidado é utilizar produtos que resultem em pouca quantidade de resíduos; saber gerenciar esse lixo e evitar o desperdício. No caso de uma reforma, o melhor é aproveitar o máximo da estrutura da construção já existente.

Pau-a-pique

O escritório Todescan Siciliano Arquitetura projetou uma casa em Cotia, Grande São Paulo, praticamente 100% sustentável. As estruturas de madeira são todas de eucalipto de reflorestamento. A maior parte das paredes foi construída a partir de uma técnica japonesa semelhante ao pau-a-pique: tramas de bambu revestidas por várias camadas de barro.

Assim, a parede “respira” e proporciona um conforto térmico a quem está dentro do ambiente (temperatura fresca no verão e aquecida no inverno). Apenas em 20% das paredes foram utilizados tijolos cerâmicos. Na pintura, um preparado de água, cal, terra e pigmento. “O custo foi praticamente o mesmo de uma casa normal”, diz o arquiteto Frank Siciliano.

Entretanto, dependendo do grau de sustentabilidade que o projeto deverá abranger, o investimento pode ser maior do que em uma construção comum. De acordo com o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Cláudio Alencar, não há dados coletados e tratados adequadamente no Brasil sobre esse ponto, mas existe sim uma tendência de incremento de custo. “No longo prazo o investimento adicional pode ser compensado”, avalia.

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