06/05/2011

Decoração de bar com tempero uruguaio

Decoração de bar com tempero uruguaio

Fonte: Revista do ZAP

Dining club La Barra, em Caxias do Sul, tem decoração pautada pela relação dos proprietários com o Uruguai

Uma das uma das construções mais antigas de Caxias do Sul, na serra do Rio Grande do Sul, o Moinho Germani, hoje transformado no Moinho da Estação, é o pano de fundo do La Barra Cocina Y Mucho Mas. No décor, lembranças do prédio centenário erguido junto à antiga Estação Férrea de Caxias (o Moinho começou a ser construído em 1910 e foi inaugurado em 1928) se misturam a referências e objetos de Punta Del Este, no Uruguai.

bar uruguaio pense imóveis

O dining club surgiu como restaurante há quatro anos e teve a decoração original idealizada pelos proprietários, descendentes de uruguaios e com forte ligação com o país. Com o sucesso da casa, várias reformas foram sendo feitas ao longo do tempo, originando novos espaços para festas. Essa série de mutações, aliada às necessidades da atual clientela, despertou nos proprietários do estabelecimento o desejo de uma reforma mais ampla, que melhorasse a logística interna, dando mais funcionalidade ao espaço e conforto aos clientes.

– La Barra é um bairro de Punta Del Este, balneário onde os proprietários costumam passar as férias. Na reforma, nós procuramos trazer mais referências da cidade para a casa, fortalecendo ainda mais essa relação. Também era nossa preocupação manter a identidade da casa – explica a arquiteta Leila Frare, que assina o projeto ao lado de Rafaela Ruaro de Meneghi, ambas da Da Haus Arquitetura.

As principais alterações foram realizadas no restaurante, que soma 170m². Também foi criada área externa para fumantes, e os banheiros foram realocados e aumentados. O corredor de entrada, que se mescla ao espaço destinado às festas, também sofreu pequenas alterações para acompanhar a nova linguagem proposta para o endereço. Além disso, toda a estrutura elétrica foi repensada, e exaustores foram instalados para controlar a temperatura.

O resultado dessa reforma é um ambiente que se aproxima ainda mais de suas origens. No restaurante, o teto e os pilares centrais são em concreto texturizado pintado de branco. A escolha faz alusão à famosa Casapueblo. a casa do artista plástico Carlos Paéz Villaró, localizada em Punta Ballena.

Já as heranças do Moinho Germani podem ser vistas na madeira de demolição utilizada de diversas formas (em mesas, bancadas e revestimentos), nos tijolos aparentes e nas relíquias que decoram o ambiente. A utilização desses materiais do antigo prédio também revela uma outra faceta do espaço.

– A sustentabilidade norteou todo o projeto. Há quatro anos, essa preocupação já era latente para os proprietários, que tinham utilizado a madeira de demolição do Moinho na decoração. Todo esse material foi reutilizado durante a reforma – explica Leila.

Mesmo preocupadas com o décor, as arquitetas não esqueceram de dar funcionalidade ao dining club. No restaurante, por exemplo, o bar teve a localização alterada, facilitando o reabastecimento de bebidas e a ligação com a área de serviço.

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Uma das paredes ganhou um patchwork de retalhos de madeira de demolição e espelhos. Ao fundo, uma das folhas do portão garimpado em um antiquário do Uruguai, que foi recuperado e pintado de vermelhoferrari, serve de anteparo para a entrada dos banheiros. A outra folha foi utilizada como detalhe em outra parede na entrada do restaurante.

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O balcão do bar, erguido com tijolos de demolição com junta seca, recebeu tampo em madeira de demolição. Dicroicas de led com filtro âmbar, para dar um tom mais quente, foram embutidas na parte frontal da estrutura e destacam a matéria-prima utilizada.

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Detalhe da mesa que recebeu como tampo uma antiga porta do Moinho Germani lixada e sob vidro comum 8mm.

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As mesas e bancos de madeira de demolição, que fazem parte da decoração desde a inauguração do dining club, receberam novos estofados com composições de cores mais quentes. A meia parede em madeira de demolição está presente em toda a área do restaurante.

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O espaço do caixa, que dá acesso ao deque externo, era a antiga casa do gerador de energia dos Moinhos Tondo. O maquinário foi mantido e valorizado pela iluminação pontual. Neste ambiente as arquitetas inseriram duas luminárias feitas com toras de madeira onde foram embutidas AR-111 de led.

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A entrada do La Barra também recebeu intervenções para ficar em harmonia com o restante da casa. Nas paredes, o reboco foi retirado deixando os tijolos aparentes. Meia parede foi revestida com treliças de madeira de demolição, mesmo recurso utilizado na divisória do deque externo. Os vãos que dão acesso ao caixa foram destacados com esquadrias largas de madeira de demolição. Luminárias em latão trazidas de Punta Del Este iluminam os quadros que fazem referência ao país vizinho. Em destaque a bandeira do Uruguai emoldurada.

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No banheiro feminino, piso e algumas paredes são em cimento alisado. Outras paredes receberam acabamentos diferenciados, como pedra caxambu em corte canjiquinha. O espelho com moldura de fibra natural e o painel de pínus tonalizado que serve de apoio para a TV LCD de 32 polegadas completam o espaço. O destaque fi ca por conta do granito cinza corumbá na bancada da pia. Usado no lado inverso, ele foi lixado para atingir o tom desejado pelas arquitetas.

Recanto verde
Uma das principais intervenções no La Barra Cocina Y Mucho Mas foi a criação de um deque externo de 20 m² que serve aos fumantes. Além das arquitetas Leila Frare e de Rafaela Ruaro de Meneghi, da Da Haus Arquitetura, que assinam toda a reforma do dining club, o espaço ao ar livre conta com a colaboração da arquiteta paisagista Akemi Inamoto.

– Os proprietários não queriam um espaço para fumantes que também servisse para as festas, pois acreditavam que isso dispersaria a função do ambiente. Por isso inserimos o verde para marcar essa diferença. O deque é quase um jardim externo – explica Leila.

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Além do verde, outros recursos foram utilizados para deixar clara a função do deque: as profissionais projetaram o espaço em uma área isolada da casa e não instalaram caixas de som no local.

Para dividi-lo do restante da área aberta do Moinho da Estação, foi criada uma divisória, de dois metros de altura. Essa estrutura intercala partes em treliça de pínus autoclavado tonalizado e partes em vidro normal 6mm com película fumê.

Ao longo da divisória, foi idealizada uma floreira, também construída em pínus autoclavado. Nela foram plantadas diversas plantas e flores, ervas contra mau-olhado (como pimentinha, arruda e espada-de-sãojorge), e temperos, como manjericão.

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Tags: arquitetura

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