22/10/2006

Desafios à frente da terceira geração de construtores

Fonte: O Globo

Projeto de resort em Búzios marca nova fase da empresa de 43 anos

Ao mesmo tempo em que lança um projeto inédito em sua história, a construtora Wrobel faz a linha de sucessão chegar à terceira geração da família. E não é à toa que a menina dos olhos da casa, o resort cinco estrelas Breezes Búzios, na Praia de Tucuns, está sob supervisão do diretor Marcelo Wrobel, filho de Fernando e neto de Abram Jacob Wrobel, patriarca que, com o irmão Pejsach, fundou a empresa nos idos de 1963, em Niterói. É em Marcelo que a Wrobel aposta para crescer.

Tanto na linhagem sucessória quanto nos novos projetos, há uma mistura de passado e futuro. Aos 38 anos, na empresa desde os 16, Marcelo desenvolve experiências empresariais para a construtora, sem deixar de lado, diz, uma das marcas da companhia, a de primar pelo acabamento.

Outra característica a ser preservada é manter a sintonia entre história e presente. O que está expresso nas obras que mais orgulham a Wrobel — nas palavras do atual presidente, Fernando: premiadas restaurações de prédios antigos, como o Teatro Municipal, a Sala Cecília Meirelles, o Museu da Imagem do Som, o Palácio da Justiça e o Copacabana Palace, todos no Rio. O sucessor, aos poucos, vem se ambientando:

— Sou preparado para assumir a empresa desde que comecei a trabalhar aqui. Fui estagiário de obras, estive à frente de projetos, passei pelo setor administrativo. Hoje, além de preservar nossa cultura, detecto desafios como vender projetos para clientes que chegam ao estande já sabendo tudo sobre a obra.

Marcelo refere-se a mudanças provocadas pelo avanço da tecnologia. Lembra, por exemplo, que, antes, os vendedores tinham até receio de mostrar a tabela de preços para que os concorrentes não tivessem acesso aos valores:

— A internet mudou tudo. Tivemos que mudar também.

Projeto mescla tradição e futuro

O Breezes Búzios pode ser o exemplo atual dessa estratégia de mesclar modernidade e história. O projeto é assinado por um dos maiores especialistas em resorts do mundo, Phillip Bogdal. E também por Afonso Kuenerz e João Uchôa, convidados a dar um ar praiano aos bangalôs de dois andares.

O investimento é de R$120 milhões, e a obra deve estar concluída em 2008. Cada casa terá 50 metros quadrados no térreo e outros 25 no piso superior. Custará entre R$200 mil e R$497 mil, conforme sua localização no terreno. Segundo os construtores, é um projeto rústico, com cara de vila de pescadores, que mostra inovações tecnológicas.

Na administração, uma novidade: este é um resort de investimento, pelo qual, o proprietário do imóvel terá direito a 33 dias de usufruto no ano — período em que, segundo pesquisa, os imóveis em Búzios são ocupados efetivamente pelo dono. Nos outros meses, ele receberá o valor rateado do que for pago pelos hóspedes de todas as unidades. Para um casa de R$220 mil, a previsão é que o montante chegue a R$3 mil por mês, no quinto ano depois da compra.

Fernando Wrobel conta que a decisão de manter a tradição familiar no comando da empresa não foi premeditada, mas está funcionando bem:

— É natural que tenhamos choques de opiniões na gestão da construtora. Mas é uma transição tranqüila. Somos absolutamente viciados no que fazemos, não vejo como a empresa pudesse ter se desviado da gestão familiar. E dá certo, porque conseguimos atualizar a empresa em assuntos administrativos.

Treinamento da equipe é dado no dia-a-dia

Outra preocupação da direção é com relação a treinamento de funcionários. Fernando Wrobel explica que os arquitetos e engenheiros da construtora têm aprendido muito em projetos feitos em parceria com escritórios estrangeiros:

— É uma troca constante de informação. Quando contratamos uma empresa estrangeira para fazer o projeto, damos as linhas gerais e discutimos o esboço. Sempre dá bons resultados porque eles têm a tecnologia, mas nós os informamos sobre legislação e códigos de postura, por exemplo.

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