09/10/2008

Design para vestir a casa

Fonte: O Estado de S. Paulo

Na última edição da Maison e Objet, objetos de uso doméstico mostram-se em permanente renovação

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisOs bowls caninos, de Brandon Warren, para a Gaia& Gino

São Paulo – Em meio a um cenário turbulento, com economia em retração e crise instalada, o mercado de feiras européias passa por aceleradas transformações. Para empresários, designers e sobretudo trendsetters (como são conhecidos os formadores de opinião nos campos da moda e do design), mais do que nunca é preciso saber para onde se dirigir de modo a detectar a informação mais preciosa, seja ela um grande negócio ou apenas o mood do momento.

Não por acaso, a segmentação pela oferta – ou pelo perfil – de determinados produtos ganha contornos cada vez mais nítidos. Assim, enquanto Milão continua sem rivais no posto de grande meca do móvel, e a vanguarda do design prefere voltar seus olhos para Londres, Paris, com duas edições anuais da Maison & Objet, se firma como ponto de referência obrigatório para os interessados nos rumos da decoração e dos acessórios domésticos.

De coleções semi-artesanais, passando por objetos que revisitam a rica tradição das “artes decorativas” francesas, é possivel encontrar um pouco de tudo. De produtos de matriz nórdica (como as cestas, produzidas a partir de tiras de madeira, de Douglas Legg, para a Eno) a linhas ecológicas, de materiais menos agressivos à natureza (caso do vidro reciclado nos vasos da Muuto) e que revelam preocupação acentuada com a sustentabilidade ambiental(como as ecobags de papel, da Authentics).

Sem exageros, se é possível afirmar que, para se conhecer como a casa será mobiliada o destino certo é Milão, não é menos correto admitir que é em Villepinte (região nordeste de Paris, onde se realiza a mostra) que se descobre como ela estará “vestida”. E, claro, adornada. Território aberto à renovação permanente, é no desenho dos objetos de uso cotidiano que a exclusividade atual da Maison se faz sentir com força (como nos bowls caninos, de Brandon Warren, para a Gaia & Gino).

“A raridade não se resume mais ao preço. Ela se associa, antes de tudo, à qualidade do trabalho”, sinaliza Sabine Sautter, proprietária da Galeria Haute Définition, de Paris, e freqüentadora assídua da mostra. Entenda-se por qualidade uma ampla gama de atributos, das particularidades técnicas aos materiais empregados na produção, da edição limitada à exclusividade do desenho de jovens designers.

Como acontece, por exemplo, com a escandinava Muuto (nome inspirado na palavra Muutos, o equivalente em finlandês para “mudança”), uma das mais intrigantes empresas da atualidade, que, apesar de contar com apenas dois anos de atividade, foi responsável por alguns dos melhores momentos da edição de setembro último. Caso da estante Otto 100, de Pil Bredahl, formada por aros de papelão de diferentes diâmetros justapostos e presos por cintas elásticas.

Objetos de arte
Alvo prioritário dos fabricantes, o consumidor jovem conta com posição de destaque no catálogo de grandes empresas como a francesa Branex Design. Detentora dos direitos de fabricação do Tan Tan, banco que depois de sofrer toda a sorte de metamorfoses em seu visual externo ganha agora outra função, transformando-se em aparelho de som bicolor, com caixas acústicas e espaço para acoplar o iPod.

Pratos, copos e talheres plásticos, por sua vez, investem em visual retrô e ganham acabamento bicolor, em branco e preto, como o da nova linha de utilitários da Guzzini italiana. Também o cinza, como tonalidade dominante, retorna com força, sobretudo entre as peças em resinas transparentes.

Na contramão da tendência, porém, uma geração de objetos nasce com o objetivo expresso de ser exclusivo e transformar os interiores da casa em galerias de arte.Produzidos em tiragens limitadas, os vasos Grid, do espanhol Jaime Hayon para a empresa turca Gaia & Gino, por exemplo, integram essa seleta categoria de peças que, não sem razão, têm todo o direito de ambicionar uma função muito além da mera posição de utilitário na atual cena doméstica.

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