28/08/2007

Devagar; área dos bancos

Fonte: Jornal da Tarde

Antes de lançar os dados, pense bem e faça simulações de crédito, pois o “”terreno”” é movediço

O fato de o consumidor ter emprego registrado, recursos na conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e fiadores para o empréstimo não garante que ele vá conseguir a liberação de um financiamento adequado para a aquisição do imóvel. O motivo é que os bancos exigem comprovantes de renda dos interessados e, dependendo do salário, as empresas liberam um valor determinado – que, muitas vezes, é inferior ao necessário. Portanto, a recomendação de especialistas é para que as pessoas façam simulações de crédito nas instituições financeiras para ver o limite de crédito a ser aprovado antes de procurar a casa ou apartamento.

O ideal, antes de sair em busca do imóvel, é definir o quanto se pode pagar: vale fazer uma pesquisa prévia nos bairros para saber os preços. Um corretor de confiança pode ajudar na procura. Em seguida, o ideal é somar os recursos disponíveis para calcular o valor da entrada (juntando o FGTS, restituição do Imposto de Renda, poupança, 13º salário e Participação nos Lucros da empresa). Assim, é possível verificar o quanto será preciso para ter o crédito aprovado pelo credor. Isso é fundamental para não perder tempo procurando um imóvel caro demais para o bolso – se a renda não for considerada suficiente, o banco não vai liberar o financiamento.

Atualmente, boa parte das instituições financeiras concede empréstimos imobiliários equivalentes a 80% do valor de avaliação do imóvel. Contudo, para atingir esse limite, é preciso comprovar rendimentos mensais superiores a R$ 3 mil (veja na tabela abaixo).

Quem está pensando em adquirir um apartamento de R$ 80 mil, por exemplo, consegue a concessão de um financiamento de R$ 64 mil no Bradesco – mas, para isso, é preciso ter um salário de R$ 3,5 mil. Se o preço do bem for R$ 100 mil, o banco libera até R$ 80 mil.

De acordo com o matemático financeiro José Dutra Sobrinho, o consumidor deve fazer as contas com cautela para não entrar em dívidas impagáveis. Ele argumenta que não adianta a pessoa comprovar a renda para conseguir o valor máximo liberado, pois isso significa ter um débito ainda maior com o banco, ou seja: terá de arcar com parcelas mais altas. No fim do prazo, a pessoa acaba percebendo que pagou bem mais caro pelo imóvel por conta das taxas de juros, avisa o matemático. O ideal é juntar o máximo de recursos possíveis para dar uma entrada maior e, dessa forma, tomar menos crédito bancário.

De qualquer forma, as simulações feitas nos sites dos bancos não são valores fechados: dependendo do valor da entrada, do relacionamento do cliente com o credor e da renda mensal, as taxas podem ser negociadas, barateando o custo final do financiamento.

Segundo o economista Luís Carlos Ewald, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os bancos permitem que o consumidor comprometa no máximo 30% da renda no pagamento das prestações. Portanto, as pessoas devem ter uma coisa em mente, antes de assinar o contrato: devem acertar as parcelas em dia todos os meses para não ter problemas com o credor.

 

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