18/04/2007

Dobra o crédito para casa própria

Fonte: O Estado de S. Paulo

Financiamento com dinheiro da poupança chega a R$ 1,3 bi em março; expectativa para o ano é de R$ 12 bi

Zap o especialista em imóveisFonte: Abecip

Nunca houve tanto financiamento para a compra da casa própria com recursos da caderneta de poupança como em março. Só no mês passado, os empréstimos habitacionais com dinheiro da poupança somaram R$ 1,322 bilhão, a maior cifra atingida num único mês desde o início do Real, em 1994, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A perspectiva, diz o presidente da Abecip, Décio Tenerello, é de que este ano termine com volume recorde de empréstimos, na casa de R$ 12 bilhões, ante R$ 9,3 bilhões registrados em 2006. Quando houve o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em janeiro deste ano, chegou-se a projetar que 2007 fecharia com um total de R$ 10,5 bilhões de empréstimos habitacionais com recursos da poupança.

“O desempenho de março nos surpreendeu”, diz Tenerello. A expectativa, diz ele, era de que o volume de empréstimos no mês atingisse R$ 900 milhões. Mas houve uma aceleração na velocidade do crescimento dos financiamentos que mais que dobraram (116%) em março ante o mesmo mês de 2006.

O levantamento da entidade mostra também que o número de imóveis financiados no mês passado quase dobrou na comparação com igual período de 2006. Foram 16 mil imóveis, a maior marca mensal desde agosto de 2006, quando os financiamentos totalizaram 8,2 mil habitações.

Para Tenerello, uma conjugação favorável de fatores levou a esse excelente desempenho. Ele argumenta que o crescimento real (descontada a inflação) de 5% na renda dos assalariados registrado em 2006 foi um dos combustíveis para o brasileiro comprar a casa própria. “Sobraram mais recursos no bolso do consumidor.”

Além disso, argumenta, a queda na taxa básica de juros, a Selic, ainda que de forma gradativa, reduziu o custo de captação de recursos por parte das construtoras, o que ampliou a oferta de imóveis, especialmente na faixa de R$ 70 mil a R$ 200 mil, para as camadas médias de menor renda. “Houve adequação entre a oferta e a procura.”

Também o aumento nos prazos de financiamentos, dilatados de 12 para 15 anos, e a ampliação da fatia financiada, de 60% para 70% do valor do imóvel, contribuíram para um maior volume de empréstimos com recursos da poupança, observa Tenerello. “Com a mudança nas regras dos financiamentos da casa própria, a prestação diminuiu.”

Básicos

Infográfico/AEZap o especialista em imóveis

Outro indicador que reforça o bom momento da construção é a venda de materiais. A receita da indústria de materiais de construção cresceu 5,78% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é da Fundação Instituto de Administração (FIA).

O índice divulgado ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) indica que os itens básicos da construção puxaram a expansão do faturamento. A venda de materiais básicos cresceu 6,1%, enquanto os itens de acabamento registraram evolução de 4,69% no mesmo período.

“O indicador revelado pelo Índice Abramat nos dá garantias de que já temos um crescimento sustentado no mercado de materiais de construção”, diz Melvyn Fox, presidente da associação do setor. Segundo ele, o primeiro trimestre reforça a perspectiva de que o faturamento da indústria de materiais de construção cresça pelo menos 8% neste ano.

O aquecimento da demanda, no entanto, ainda não recebeu o impulso do PAC. O governo federal prevê investimentos de R$ 106 bilhões em habitação de interesse social em quatro anos. “São R$ 26 bilhões por ano, recursos que ainda não começaram a entrar no setor. Isso deve começar a acontecer em até dois meses e estou certo de que deve provocar uma aceleração ainda mais forte nas vendas”, avalia Fox.

Além dos recursos do PAC, a indústria se prepara para atender à demanda que será criada pelo setor da construção civil focado em projetos de habitação. A estimativa é que, entre recursos captados na Bolsa de Valores, de bancos privados ou de investidores novos, R$ 67 bilhões sejam aplicados em construção de moradias este ano.

O presidente da Abramat afastou a possibilidade de inflação por demanda. Segundo ele, há ociosidade de 20% em média na indústria de materiais, o que garante atender à demanda sem pressão sobre preços. “Inflação de demanda não vai ocorrer”, sustenta.

O faturamento bruto das vendas dos materiais de construção no mercado interno em março cresceu 22,21% em relação ao mês anterior e 6,24% ante o mesmo mês de 2006. No mercado externo, o faturamento acumulado no trimestre cresceu apenas 0,59% ante o primeiro trimestre de 2006.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.