30/10/2006

Dos casarões do café aos condomínios

Fonte: O Estado de S. Paulo

De um despretensioso e pequeno povoado no alto de uma colina, que abrigou missões jesuítas na metade século 16, à capital hoje reconhecida como a quarta maior cidade do mundo, com 10,4 milhões de habitantes, 50 shoppings centers e tantos outros indicadores expressivos. São Paulo, ou melhor, a história de seu crescimento, está atrelada à rebeldia e velocidade dos negócios que nela se desenvolveram. Mas o planejamento não acompanhou a rapidez da constante renovação de sua vocação. E nem sempre ela chegou em conjunto com a infra-estrutura.

A história recente dá um bom retrato. “Na última década, a população da Grande São Paulo passa de 10 milhões para 16 milhões, trazendo problemas de toda a ordem, e os administradores públicos não acompanharam as mudanças no comportamento e da conurbação dos municípios que compõem a metrópole, não assimilando ou compreendendo claramente as necessidades e interpretando corretamente as deficiências das cidades”, argumenta o diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio de São Paulo, Luiz Paulo Pompéia.

Porta-voz de uma reconhecida organização que pesquisa a bolsa imobiliária de São Paulo, o executivo é incisivo. “É urgente o desenvolvimento de uma coordenação de estudos com poder de decisão visando a melhoria da integração da região metropolitana de São Paulo com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do cidadão.”

Na perspectiva de especialistas do mercado imobiliário, São Paulo não é só a cidade que em 450 anos de desenvolvimento econômico atingiu a cota de 42,8 mil apartamentos reservados a hotelaria, mas uma capital que experimentou diversos ciclos econômicos – o apogeu do café, fase de chácaras suntuosas e palacetes; a industrialização; o desenvolvimento do setor automobilístico, com suas vilas industriais – e, agora, convive com a predominância dos serviços. No campo cultural, não deixou por menos. Palco da Semana de Arte Moderna, assistiu neste período o surgimento dos primeiros bairros planejados, com leis próprias de uso e ocupação do solo. Até o século 19, diz Pompéia, a cidade se resumia ao triângulo compostos pelas Ruas Direita, 15 de Novembro e São Bento. “Hoje, acompanhamos a consolidação dos condomínios residenciais horizontais que se identificam com todas as fatias da sociedade, oferecendo unidades entre R$ 38 mil e R$ 3,5 milhões. Uma perspectiva de desenhar o futuro.”

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