05/08/2007

É casa de gringo

Fonte: O Globo

Estrangeiros que vivem no Rio optam por uma decoração multicultural

Alguns se encantam com o artesanato, as paisagens e as madeiras locais… e querem uma casa brasileira. Outros preferem se manter próximos de suas raízes e optam por toques de brasilidade. O fato é que os gringos que invadem nossa praia, fazendo do país sua segunda residência, são grandes fãs. E isso se reflete no jeito de morar.

Fabio Rossi Zap o especialista em imóveisA mesa de madeira de demolição de Tiradentes e cadeiras Charles Eames: a decoração é “tropical minimalista”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotografias do Rio de Murilo Meirelles, por exemplo, foram o destaque do projeto de Mariana Fortes Figueiredo para o apartamento de um francês, no Leblon.

— O principal pedido do cliente era que as fotos sobressaíssem. Por isso, as molduras foram pintadas da mesma cor que as paredes, um branco acinzentado — explica Mariana.

A arquiteta lembra ainda que uma preocupação do cliente francês foi que a residência não tivesse muita frescura — quer dizer, ele queria um ambiente descontraído. O piso, por exemplo, é de granilite (cimento com pó de mármore), um material simples, usado em circulação de prédios.

Fabio RossiZap o especialista em imóveisFotografias do Rio, feitas por Murilo Meirelles, são os destaques da casa de um francês

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— É que ele costuma chegar com areia de praia nos pés e não queria se preocupar em não danificar o piso. Outro exemplo são as poltronas da sala, com estofado de lona de caminhão, bem resistente.

Uma estante que já existia no imóvel, dividida em pequenos nichos, se transformou num espaço de valorização do artesanato: as cavidades externas ganharam iluminação, dando destaque às esculturas de macaquinhos nas cavidades centrais.

Um jardim de inverno na área externa do apartamento, que fica no térreo, ganhou poltronas e mesinha de tronco de árvore bruto:

Fabio Rossi Zap o especialista em imóveisNo jardim de inverno, móveis de tronco de árvore

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— Ele queria que essa área tivesse cara de Brasil. Fomos a um horto e ele escolheu espécies bem selvagens, como as dracenas e as bromélias. Ambas não pedem cuidados especiais — explica Mariana.

Imóvel foi reformado para se adequar à cultura diferente

Ao arquiteto Erick Figueira de Mello, o pedido de um casal de suíços foi uma decoração “tropical minimalista”. A idéia era ter no imóvel, no Leblon, poucos elementos — alguns mais clássicos e outros mais típicos do Brasil.

— Na sala, por exemplo, temos uma mesa de madeira de demolição de Tiradentes e cadeiras Charles Eames (famoso designer americano, com produção das décadas de 40 e 50) de acrílico vermelho — diz Erick.

Fotos de paisagens do Rio tiradas pelo próprio dono da casa decoram as paredes de vários ambientes.

Fabio Rossi Zap o especialista em imóveisO morador é o autor das fotos do Rio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— As fotos ganharam um tratamento especial, recebendo status de obra de arte: parte dos retratos são em preto-e-branco e parte coloridas — explica o arquiteto.

Erick lembra, no entanto, que algumas adaptações foram feitas para o imóvel se adequar aos costumes do cliente estrangeiro:

— O banheiro não é só integrado ao quarto: ele está dentro do cômodo. Não há porta alguma. Nós, brasileiros, prezamos mais pela privacidade nessa parte da casa. E também não há chuveiro, só a banheira.

Já um casal de clientes do arquiteto Guto Barcellos — ela, peruana e ele, americano, moradores de Nova York — tinham o receio de que o apartamento, em Copacabana, tivesse cara de “casa de gringo”.

Fabio Rossi Zap o especialista em imóveisMistura de culturas num apartamento de arquitetura arejada, bem carioca. As peças de decoração são de vários lugares, como o bargeño, móvel peruano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— Eles sabem que o Rio não é um balneário, e sim uma cidade cosmopolita que tem praia. Quiseram um projeto bem arejado, com grandes portas, que é a cara do Rio, mas uma decoração que não fosse temática. Há referências à cidade, a Nova York e ao Peru, como o bargeño, uma espécie de arca com pintura artesanal.

 

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