08/10/2008

É mais difícil pechinchar em área nobre

Fonte: Jornal da Tarde

Em contrapartida, nas zonas periféricas, o desconto médio ultrapassou atingiu quase 17%

Ficou mais difícil “pechinchar” o preço do aluguel nas zonas centrais da cidade, do início do ano até agosto. Porém, os locatários foram mais beneficiados com o “choro” na periferia paulistana. É o que indicam dados de pesquisas mensais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).

Nas zonas A, B e C, que abrigam bairros como Morumbi, Bela Vista e Tatuapé, a média de descontos nessas negociações caíram no período. Essa queda chegou a 4,15% na zona C. Como resultado, a porcentagem da mensalidade que podia ser negociada em agosto nessas três áreas girava em torno de 9%.

Em contrapartida, nas zonas periféricas, o desconto médio ultrapassou 14% e atingiu quase 17% do valor da mensalidade na zona D em agosto, uma alta em torno de 5% com relação a janeiro.

“Para quem tem renda familiar por volta de R$ 800 por mês e compromete 30% da renda para pagar o aluguel, um desconto de 15% é expressivo”, analisa José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.

Apesar de reconhecer que o mercado é volátil, Viana considera dezembro, janeiro e fevereiro os meses ideais para alugar e obter uma negociação melhor, pois o número de transações no período diminui.

Turbulência
“Não acredito em nenhuma alteração em função da crise internacional no setor. Os bancos não promoveram queda no tempo de financiamento e os lançamentos de imóveis novos continuam rendendo. O setor somente sofre por falta de imóveis”, explica. Porém, o presidente do Creci-SP considera que, caso a crise atinja o País, todos os setores da economia serão afetados. Mas diz que, por enquanto, não há indicação de mudanças. “Apenas o desemprego e uma cautela excessiva dos bancos poderia mudar este panorama”, conclui.

Para o diretor comercial da imobiliária que leva seu nome, Marco Baroni, uma das possíveis causas para explicar o movimento é a melhora do nível salarial na cidade e a conseqüente migração de locatários para imóveis de padrão mais alto.

O fenômeno também foi impulsionado por uma maior quantidade de unidades para locação com valor mais baixo na periferia, o que proporcionou oferta de descontos na região, segundo Baroni. “Percebemos maior procura devido a uma demanda reprimida”, diz.

Neto vê uma oportunidade para investidores na compra de imóveis usados, onde podem conseguir uma boa remuneração. “Em 2003, os imóveis eram alugados por 0,5% do seu valor. Hoje sabemos que novas locações atingem até 1,5%”, diz Neto. “Os preços subiram e, para quem quer investir, proporcionam um rendimento maior”. A zona oeste tem oferta de empreendimentos e podem proporcionar negociações melhores, segundo Baroni. Já os locatários “chorões” devem evitar bairros como Jardim Paulista, Vila Nova Conceição e Ibirapuera.

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