11/05/2009

É melhor esperar um pouco mais ou realizar o sonho da casa própria agora?

Fonte: Jornal da Tarde

Taxas de juros devem continuar caindo, mas preços podem subir com o mercado aquecido

Foto: DivulgaçãoZap o especialista em imóveisCom a queda da Selic, a tendência é que os juros da casa própria também caiam

A crise econômica fez muita gente adiar a compra da casa própria no fim do ano passado, mas o mercado demonstrou poder de reação. Com a queda da Selic – a taxa básica de juros da economia – e o lançamento de programas habitacionais, como o “”Minha Casa, Minha Vida””, está ainda mais fácil financiar um imóvel. Para alguns economistas, a tendência é que as taxas de juros do crédito imobiliário continuem caindo, o que tornaria as condições de financiamento ainda melhores nos próximos meses. Mas fica a dúvida: é melhor esperar um pouco mais ou comprar agora?

Famílias com renda de até dez salários mínimos, interessadas em imóveis de até R$ 130 mil, podem se enquadrar no “”Minha Casa, Minha Vida””. Neste caso, como as taxas de juros são mais baixas, o financiamento é uma boa opção. Nos demais casos, pode ser melhor esperar.

“Quem fizer um financiamento imobiliário agora encontrará condições melhores que as oferecidas há seis meses – e piores que as que serão oferecidas daqui a seis meses”, defende o professor Rafael Paschoarelli, da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Com a queda da Selic, a tendência é que os juros da casa própria também caiam. Até o fim de janeiro, a Selic permaneceu fixada em 13,75% ao ano. Agora, a taxa está em 10,25% e o Banco Central já sinaliza novas baixas nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A dificuldade está em determinar o impacto da queda da Selic sobre os juros da casa própria. O professor de Finanças Ricardo Torres, da Brazilian Business School, explica que os financiamentos imobiliários utilizam, em grande parte, recursos da caderneta de poupança. Quando a Selic cai, o rendimento da poupança também diminui. Assim, os bancos, que emprestam o dinheiro da poupança aos mutuários, tem espaço para reduzir os juros do financiamento. “Acredito que as taxas estarão menores nos próximos meses, ou pelo menos iguais. Só não dá para saber quanto”, diz.

Quem esperar alguns meses, no entanto, terá que lidar com a ameaça de valorização no preço dos imóveis. O lançamento do programa “”Minha Casa, Minha Vida”” reaqueceu o mercado como um todo – e não apenas o de imóveis para a baixa renda. “Não vejo nenhum problema em financiar agora”, afirma o consultor financeiro Ricardo Melo, do Instituto Ricardo Melo. “Quando há redução da taxa de juros, ela é pequena. A valorização do imóvel ao longo do tempo compensa isso.”

O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana, acredita que tanto os juros quanto os preços tendam a ficar estáveis nos próximos meses. “Imóveis que custam mais de R$ 130 mil são para um mercado menor, em que a oferta e a demanda estão equilibradas.”

Aos interessados, resta avaliar se este é o melhor momento para financiar, considerando o orçamento e a atual fase de vida da família. O professor José Dutra Oliveira Sobrinho, especialista em matemática financeira, reduz as opções: “Se a prestação for menor que o aluguel que você paga, é melhor financiar.”

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