30/10/2006

É Moema, mas poderia ser Leblon

Fonte: O Estado de S. Paulo

Proximidade de Congonhas e semelhanças com bairros da zona sul do Rio são atrativos para cariocas que vêm morar em SP

Apesar do barulho de um avião que pousa e de outro que decola, o chiado forte dos esses chama a atenção nas ruas de Moema. Seja pela proximidade com o Aeroporto de Congonhas ou pelo clima boêmio adquirido nos últimos anos, o bairro está virando um pequeno reduto carioca em São Paulo. E a comunidade tem direito a restaurantes naturais, bares com inspiração fluminense e até lojas de surfe.

A aglomeração é espontânea, dizem, fruto do bom e velho boca-a-boca. Relações-públicas assumida da vizinhança, a gerente de produtos Lourdes Helena Squeff já perdeu a conta de quantos cariocas influenciou. “Adoro Moema e indico para todo mundo do Rio que sei que está mudando para cá”, diz Lourdes. “É um bairro com bossa, como o Leblon ou Ipanema, cheio de gente bonita.

Sem falar da oferta de serviços por perto e do custo de moradia, semelhante ao da zona sul do Rio.” A concentração de bares também ajuda a atrair aqueles que já nasceram com o gosto pela boemia, acompanhada de cerveja gelada e petiscos. Assim como Vila Madalena e Pinheiros – também prestigiados entre os cariocas -, Moema tem botequins no estilo de Bracarense, Lamas ou Bar Lagoa, que estão entre os mais típicos do Rio.

Fica difícil acreditar que casas como Original, Juarez e Vila Isabel (este faz referência assumida ao bairro da capital fluminense) tenham nascido com espírito carioca por acaso. “Tomar chope ao ar livre, sentado numa mesa na calçada, é a cara do Rio”, diz o gerente de tecnologia da informação Fábio Martins. Antes de se mudar para São Paulo, ele já ouvia falar do clima descontraído do bairro. O resultado de tanta propaganda de Moema na cidade do Pão de Açúcar? Segundo Jaime Silva, responsável pela filial da imobiliária Lello no bairro, 20% dos contratos de aluguel são firmados por quem acabou de descer da ponte aérea. “Moema tem muita gente de fora por estar perto do aeroporto e ter grandes avenidas, que facilitam a locomoção, mas os cariocas dominam.” A maioria faz um pedido: prédio com piscina para garantir o bronzeado.

A invasão é confirmada pelos próprios cariocas. Só no prédio de Lourdes, outros cinco moradores vieram do Rio. Sem falar nos colegas de trabalho dela, que arrastam o “S” pela redondeza. No edifício do consultor de RH Renato Lourenço Viana é a mesma coisa. “A minha vizinha de porta é carioca. A gente se reconhece pelo sotaque.”

Ibirapuera é Ipanema

E a história não se limita ao ambiente doméstico. Nos brunches do Via Café, na Rua Jacutinga, sempre há pelo menos três mesas “chiando”. Na academia 4Fit, uma das maiores, 10% dos alunos mantêm o cuidado com corpo pensando na praia. “Onde quer que se ande pelo bairro você vai encontrar pelo menos um carioca.

Na padaria, então, é inevitável”, diz a chef Mariana Valentini. Assim como fazia em Botafogo, Mariana consegue em Moema solucionar a pé seus pequenos problemas do dia-a-dia. “É o mesmo clima de bairro, onde todo mundo se conhece e resolve a vida em dois ou três quarteirões.” Vindo do Rio há um ano e meio, Renato Oliveira, gerente de uma indústria farmacêutica, se identificou com o bairro. “Vou andar no Ibirapuera como fazia no calçadão de Ipanema e como açaí numa loja de surfe.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.