06/04/2007

É na Capital, mas parece interior

Fonte: Jornal da Tarde
Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisRua Almeida Grarrett, no Alto de Pinheiros, como diversas outras no bairro, é quase um ‘túnel’ feito de árvores

O bairro fica na Zona Oeste da Capital, próximo à Marginal Pinheiros. No seu entorno, prédios empresariais voltam os olhos de todos para o céu com seus modelos arquitetônicos modernos e arrojados. E, pelo seu interior, cruzam importantes vias do sistema viário paulistano. Mas ainda assim, o Alto de Pinheiros tem seu clima de cidade do interior.

Moradora do bairro desde que nasceu, a representante comercial Marta Maria Wright da Silveira, 43 anos, explica o porquê: “É um bairro bem arborizado, seguro, mesmo se tratando de São Paulo. As ruas são tranqüilas e silenciosas e tudo é muito perto. Me sinto morando no interior”.

Pode parecer exagero, mas a rotina da família de Marta e a qualidade de vida perceptível do bairro justificam o sentimento da moradora. Seus dois filhos estudam em um colégio de ponta localizado na vizinhança. Também sem muitas voltas dá para ir ao supermercado e ao banco na Praça Panamericana. Padaria, farmácia e o shopping também ficam ali por perto. E nas noites de sábado, restaurantes muito bem cotados ficam a poucos minutos do portão de casa. Se não bastasse, o Parque Villa-Lobos, na Avenida Professor Fonseca Rodrigues, está a algumas pedaladas da sua rua.

Durante anos, Marta morou na casa dos pais em uma das ruas do bairro que mais parecem túneis feitos de árvore. Quando se casou, a representante comercial e o marido decidiram morar em um apartamento. A paixão pelo bairro era tamanha, que nem assim ela arredou o pé dali. “Fui morar num apartamento na (Avenida) Arruda Botelho. Mas quando meus filhos cresceram, resolvi retornar para uma casa para ter mais espaço”, conta.

De volta a um sobrado, Marta conta que a mudança veio de encontro às necessidades de lazer das crianças. “Elas adoraram. Até fizeram com que eu comprasse um cachorro. Não querem voltar para apartamento nunca mais.”

Além disso, um outro fator que corrobora para o clima interiorano do bairro é a relação harmoniosa entre os vizinhos, cada vez menos freqüente nas grandes cidades. Ela disse que ainda é comum encontrar dezenas de pessoas caminhando pelas ruas do bairro como se faz no interior. A diferença é que nas imediações do bairro elas são supervisionadas por vigias particulares e câmeras de segurança.

Se não fosse por um problema na perna, o médico aposentado Roque Figliolia, 96 anos, poderia ser uma das pessoas flagradas caminhando sob a sombra das árvores. Até alguns anos atrás ele costumava andar pelas ruas do bairro acompanhado de seu personal trainer. Figliolia ainda é um dos poucos moradores que fazem questão de manter a fachada de sua casa com mureta e portões baixos, como exigia o padrão da época quando adquiriu seu imóvel, na década de 1950.

E pelos relatos do médico aposentado, constata-se que o bairro que tem clima interiorano já foi tão precário quanto outras cidades do interior do Estado. “Sou da época em que não tinha nem água, nem luz e nem esgoto. Os moradores tinham de ter poço, bomba e fossa em casa. Telefone era raro. Era tudo terra. E as vacas vinham pastar bem aqui”, recordou o ex-médico de família. Figliolia lembrou ainda que, quando se instalou no bairro, só havia por lá três casas na sua vizinhança, e as árvores que cobrem o bairro, tinham pouco mais de um metro de altura.

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