01/04/2007

Ecologia ganha força na decoração

Fonte: O Globo

Entre as mudanças, o estilo ‘clean’ perde espaço e o contemporâneo se mistura ao antigo

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisA madeira de demolição ficou comum e, misturada a metrial sintético, chega a um quarto de rapaz do projeto Fernando Pessoa de Queiroz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A preocupação com a ecologia também vem ganhando espaço na decoração nestes últimos dez anos. Os projetos de interiores, agora, têm madeiras de reflorestamento com selo de origem — ou lançam mão de novidades ecologicamente corretas como pupunha, zorite ou bambu. Ao contrário, os metais cromados, que poluem o meio ambiente durante o processo de fabricação, estão cada vez mais raros. Foram substituídos pelo aço inox e pelo alumínio polido.

Além dessas, outras mudanças ocorridas ao longo destes anos são a transformação dos ambientes clean, a valorização do design nacional e de técnicas de iluminação, além do fim do ton-sur-ton.

São tendências que marcam época, apontadas por profissionais como o presidente da Associação Brasileira de Decoração (ABD), Roberto Negrete, a organizadora da mostra Casa Cor Patrícia Quentel, o arquiteto Chico Vartulli, o diretor da Escola de Design da UniverCidade, João Lutz, e a luminotécnica Chean Hsui.

João Lutz conta que o caso de certas madeiras é típico da aposta na ecologia:

— Cedro, mogno e peroba, que eram usadas na década passada, estão caindo em desuso pela ameaça de extinção.

Pupunha e zorite, as madeiras do futuro

Ainda que tenham origem em projetos de reflorestamento e venham com selo de extração, diz ele, o problema continua. É que as árvores levam de 40 a 70 anos para crescerem:

— Madeira de pupunha e zorite, um composto de celulose e resina, passam a ser usados. Ambos foram premiadas em 2005 e 2006 no Industry Forum, um dos mais importantes concursos mundiais. O bambu também está virando outra opção bem freqüente.

Divulgação Zap o especialista em imóveisMetais e cores fortes, no projeto de Cadas Abranches dos anos 90

Paralelamente, a cor das madeiras usadas vem clareando, segundo Roberto Negrete.

— Nos anos 80, a cerejeira, que é bem amarelada, estava na moda. Nos anos 90, o pinus e o pau-marfim tomaram o lugar. Hoje, as tonalidades estão mais claras — diz Negrete, acentuando que os compensados, atualmente, têm qualidade muito superior à dos antigos.

A consciência ecológica aparece também na recusa crescente pelo uso de objetos cromados, que eram moda. É que o processo que dá brilho ao metal lança resíduos poluentes, ameaçando a natureza.

— Isso fez com que muita gente optasse por aço inox ou alumínio polido — diz Negrete.

Toques rústicos dados por madeira de demolição, fibras naturais nos tapetes e tecidos como linho não só ganharam força na última década como foram se reciclando ao longo dela. Patrícia Quentel lembra que a tendência se firmou a partir da Casa Cor de 1997. No ano passado, chegou ao quarto do rapaz (lugar até então impensável, diz), num projeto de Fernanda Pessoa de Queiroz.

— Passamos por uma fase minimalista, e o rústico virou uma das mais bem-sucedidas formas de “aquecer” os ambientes. Agora, ele vem associado a materiais sintéticos, como laca. Foi o caso desse quarto — diz Patrícia, acrescentando que mesmo as fibras ganharam toque tecnológico.

Segundo Patrícia, os papéis de parede ensaiam seu retorno. Mas nada de florais, os tons são neutros. Já o composé e o ton-sur-ton sumiram do mapa. O arquiteto Chico Vartulli diz que a pátina, antes uma moda fortíssima, também saiu de cena. E que a onda rústica vem, agora, acompanhada de um design bem brasileiro:

— É comum usar mesas ou aparadores com desenho de brasileiros. Outra tendência é apostar em peças antigas, como telefones do século passado, em ambientes modernos.

Cor dos tecidos passa do marrom para o cinza

Uma área que se desenvolveu muito nos últimos dez anos foi a luminotécnica, conta Chean Hsui. O racionamento de energia de 2001, diz ela, ensinou às pessoas que era possível ganhar a sensação de conforto com economia.

— Em dez anos, a variedade de lâmpadas cresceu. A miniaturização foi outro fenômeno. Esses fatores permitem, hoje, instalações em lugares difíceis, como estantes e tetos baixos — diz Chean, acrescentando que o futuro começa a se mostrar na escolha de cores para os ambientes. — Antes, se usava filtro âmbar e, agora, dá para formar tonalidades, digitalmente.

Ao contrário, há alguns materiais que se mantêm soberanos. É o caso do veludo e do couro, que continuam em alta. No caso do veludo, Negrete explica que as tonalidades passaram do marrom para o cinza — acompanhando o resto dos tecidos. O couro ganhou conservação mais eficiente.

O arquiteto Chico Vartulli diz que o assunto é polêmico:

— Tanto há clientes que pedem peças com couro como aqueles que acham desrespeito com os animais. Há espaço para as duas opiniões.

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