22/04/2007

Ecologicamente arquitetado

Fonte: O Globo

Brasil ganha primeiro selo verde na construção. Projetos que poupam recursos naturais saem do papel

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisMaquete de condomínio residencial que está sendo construído em São Paulo

Sai até o fim desta semana o primeiro selo verde para um prédio construído no Brasil. O certificado será concedido a uma agência do ABN Amro Real, que fica em Cotia, São Paulo, pelo Conselho da Construção Verde (GBC, na sigla em inglês), uma ONG americana que tem como missão avaliar se a construção é sustentável, ou seja, se segue padrões que reduzam o impacto ambiental.

A entidade, que já deu o selo a cerca de 700 construções em todo o mundo, acaba de se instalar no país. Com a concessão desse primeiro selo — o Liderança em Energia e Design Ambiental (Leed, na sigla em inglês) — o “Morar Bem” inicia aqui uma série de três reportagens sobre arquitetura sustentável.

O GBC foi criado para analisar projetos comerciais, mas já dá seus primeiros passos no segmento residencial. No mundo, são 5,3 mil projetos pleiteando o selo. No Rio, o primeiro a receber o Leed deverá ser o Ventura Corporate Towers, complexo de escritórios de alto padrão no Centro, que vem sendo chamado de as Torres Gêmeas cariocas. Ele deverá ser inaugurado no fim de 2008 e está em fase de pré-certificação.

Usar, durante a construção, materiais reciclados ou que poluem menos, ter sistemas de energia solar e de reaproveitamento da água da chuva, além de planejar imóveis para receber bastante luz e ventilação naturais, são algumas das iniciativas adotadas nesses edifícios.

Em São Paulo, um projeto residencial — o Gran Parc Vila Nova, na Vila Nova Conceição — segue as diferentes recomendações de uma construção ecologicamente correta. Previsto para ficar pronto em novembro de 2008, o Gran Parc recebeu em 2005 o Holcim Awards, prêmio mundial concedido pela Fundação Holcim para a Construção Sustentável.

Cai custo de produção dos edifícios verdes

A certificação Leed vai ajudar a reduzir um estigma que os edifícios carregam: serem os responsáveis por 31% da emissão anual do gás que causa o aquecimento global. No Brasil, há cerca de 20 empreendimentos em fase de análise para a certificação, num total de 2,5 milhões de metros quadrados. Se depender da equipe da filial brasileira do Conselho da Construção Verde (GBC), no entanto, esse número vai aumentar significativamente:

— Queremos aprofundar conhecimentos técnicos para adaptar as normas Leed à realidade brasileira, o que vai tornar mais fácil obter o selo. Para isso, estamos firmando parcerias com empresas, universidades e entidades. E pretendemos organizar cursos, lançar uma revista e um site que promovam a construção de edifícios com baixo impacto ambiental — conta o vice-presidente do GBC Brasil, José Moulin.

Graças ao aumento de escala e à adoção de novas tecnologias, o custo de produção de um prédio verde vem caindo rapidamente. Há cinco anos, este tipo de obra custava até 8% mais que a de um prédio comum. Hoje, o valor não ultrapassa os 2%. Para Paola Figueiredo, diretora da Sustentax, empresa de engenharia que presta consultoria de sustentabilidade e é acreditada pelo GBC, este é um caminho sem volta:

— As empresas, inclusive as construtoras, que não começarem a se focar já na sustentabilidade, vão ficar para trás. Pesquisas mostram que o consumidor brasileiro é um dos mais preocupados com a degradação do meio ambiente.

No caso do ABN, o projeto de Cotia foi só a semente:

— Todas as novas agências do banco serão construídas seguindo esses mesmos critérios — conta o engenheiro Marcos Casado, do Departamento de Engenharia do ABN.

Além dos sistemas de uso racional da energia e da água e do emprego de materiais que não causam danos ao meio ambiente, a escolha do local também conta pontos para o projeto a ser certificado. O ideal é que tenha alta densidade demográfica e infra-estrutura, evitando uma interferência em regiões onde o meio ambiente ainda está preservado.

Além disso, é importante o uso de insumos produzidos num raio máximo de 800 metros, diminuindo a poluição causada pelos caminhões que fazem o transporte. Todas essas exigências foram cumpridas no projeto do Ventura Corporate Towers, no Rio:

— Neste aspecto, estamos excedendo o limite mínimo exigido: usamos 30% de materiais regionais, em vez de 20%. No caso de itens recicláveis em geral, o empreendimento empregará 20%, quando deveria usar pelo menos 10% desse tipo de insumo — ressalta Nelson Faversani, gerente de obras da construtora americana Tishman Speyer, uma das parceiras do complexo.

Faversani garante que os esforços para redução de impactos ao meio ambiente não vão parar por aí:

— Queremos envolver os inquilinos com o projeto de sustentabilidade. Pois, sem a mobilização da comunidade, todas essas iniciativas se perdem. De que adianta um equipamento que economiza água, se as pessoas desperdiçarem?

Além dos ganhos para o meio ambiente, a adoção de medidas sustentáveis pode ser benéfica para o bolso dos prédios. No caso do edifício residencial Gran Parc Vila Nova, localizado em Cotia, na Grande São Paulo, estima-se que a economia mensal que o condomínio obterá com o uso de energia solar para aquecimento da água será de 5.581Kwh. E como toda a iluminação das áreas comuns empregará lâmpadas fluorescentes de alto desempenho e reatores eletrônicos acionados por sensores de presença, mais quatro mil quilowatt/hora serão economizados.

— Em 1995, a empresa começou a ter foco na redução de desperdício e foi caminhando para a sustentabilidade. E estamos muito motivados a empreender novas ações do gênero — diz Renato Mauro, diretor da REM Construtora, parceira da Esser Empreendimentos nest

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