16/12/2007

Economia em série

Fonte: O Globo

Padronização reduz o desperdício de materiais e, portanto, o custo da obra

Os gastos com desperdício representam hoje um prejuízo de 3% a 8% para quem está construindo uma casa. Parece pouco? Até diminuiu em função das novas tecnologias, mas ainda é muita coisa. Esse montante refere-se tanto ao material que vira entulho como o que é usado em excesso, por falta de padronização. Os dados são de pesquisa da Politécnica de São Paulo e do Instituto Brasileiro de Tecnologia e Qualidade na Construção Civil (ITQC).

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisO bairro planejado Villa Flora, em Sumaré (SP): na pré-laje, fôrma metálica em vez de madeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o crescimento do segmento de construção para a classe média baixa, empresas do setor também estão atentas a desperdícios. Para algumas, a solução tem sido a produção em série. Caso do Villa Flora, bairro planejado pela Rossi, na cidade de Sumaré (SP), com 3,3 mil unidades. Na fundação e na pré-laje, por exemplo, são usadas fôrmas metálicas, em vez da madeira tradicionalmente empregada pelo setor.

— Esse tipo de fôrma produz uma superfície bem lisa, que permite a pintura diretamente na laje, dispensando a massa. Mas é cara, só vale a pena quando há muita repetição — explica o diretor de Negócios da construtora, Renato Diniz.

Como evitar prejuízos

Planejamento: A falta de projeto adequado resulta no cálculo incorreto de materiais e mão-de-obra, além de quebra-quebra e remendos. Para especialistas, a aquisição dos lotes de materiais deve ser feita de uma única vez e de forma que garanta sua homogeneidade e exata quantidade.

Transporte: Quebra de blocos e tijolos pelo caminho e areia e pedras espalhadas pelas ruas são alguns dos principais causadores do desperdício. A providência é simples: procurar um fornecedor de confiança, conferir se ele usa caminhão apropriado e avaliar o estado do material na hora da entrega. É preciso dar atenção também ao material de trabalho da equipe: carrinho de pedreiro em mau estado, por exemplo, pode criar uma trilha de blocos quebrados até a obra.

Canteiro: Quanto mais organizados o canteiro e o barracão, menores as chances de perda de material. O básico é mantê-los preservados de furtos, intempéries, riscos de acidentes e em local de fácil acesso. Se há vários profissionais trabalhando ao mesmo tempo (pedreiro, encanador e assentador), a obra tem de ter estrutura para que um não atrapalhe o outro.

Materiais I: Depois dos materiais básicos, que vêm prontos (caso dos blocos) e quebram muito pelo caminho, os campeões de desperdício são os moldados na obra — argamassa e gesso. Essa dupla requer uma instrução: orientar os operários a só produzirem o que será usado no mesmo dia. Já areia, cimento e cal desaparecem se forem armazenados de modo incorreto (levados pela chuva, danificados pela umidade) ou se usados incorretamente.

Materiais II: Cerâmica costuma ser outra fonte de desperdício, e uma tendência atual aumenta o problema: as placas estão maiores, e recortar peças é uma fonte potencial de perda.

Materiais III: Há itens sujeitos a perdas por serem comprados sem atenção ao tamanho-padrão. Caso do ferro, disponível em barras de 12 metros: se a obra considerar pilares de três metros, é só cortar a barra em quatro pedaços; mas se o pilar tiver 3,5m, por exemplo, não haverá sobra.

Espessura: Pilares, lajes e emboços, se feitos grossos demais — mais do que o necessário, é claro — constituem o que o setor chama de “desperdício invisível”. Uma perda duas vezes maior, aliás, do que a causada pelo desperdício de material propriamente dito.

Mão-de-obra: O ideal é procurar pessoal capacitado, que passou por algum centro de treinamento: o desperdício pode ser resultado de maus hábitos. Exemplo: o pedreiro assenta blocos e não usa a argamassa que cai no chão; daí ela seca e vira entulho.

 

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