28/02/2011

Edifício comercial investe em tecnologias ecológicas para reduzir consumo e gerar economia

Edifício comercial investe em tecnologias ecológicas para reduzir consumo e gerar economia

Fonte: Revista do ZAP

Reaproveitamento de água e utilização dos recursos naturais do local para diminuir uso de ar-condicionado são pensados desde o projeto

Ser ecologicamente correto não é apenas questão de moda, mas também de economia. Para unir redução de gastos e de danos à natureza, uma empresa de tecnologia vai construir sua nova sede em Porto Alegre usando tecnologias de gerenciamento de energias.

O projeto começou com a análise do terreno onde será erguido o prédio de 7.200 metros quadrados. A arquitetura do edifício visa aproveitar os principais ventos da região e a incidência solar, entre outros, de modo a tirar vantagem desses recursos naturais e reduzir o uso de ar-condicionado, exemplifica André Detanico, diretor da AT Arquitetura, de Porto Alegre, que assina o projeto.

“Aproveitamos a iluminação natural de modo que as lâmpadas do prédio não precisem estar acesas o tempo inteiro”, cita. Também nesse sentido, a construção conta com persianas automatizadas, programadas para irem fechando de acordo com a hora do dia, e sincronizadas com os interruptores, acendendo as lâmpadas de LED à medida que se fizer necessário. O mecanismo contribui, ainda, para a economia com o ar-condicionado, já que as persianas controlam a quantidade de sol – e, consquentemente, de calor – que entra nos ambientes.

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Outro recurso para reduzir o uso dos condicionadores de ar é a arquitetura da construção, que aproveita os ventos típicos no local para criar um sistema de ventilação cruzada, o que ajuda também na melhora da qualidade do ar, por permite sua renovação constante.

Nesse sentido, colaboram, ainda, os brises vegetais, estruturas metálicas (dispostas na fachada norte) cobertas de plantas, que ajudam a filtrar a luminosidade e o aquecimento para o prédio. “No inverno, essa vegetação perde folhas, permitindo a entrada de mais sol e ajudando a aquecer os espaços”, continua Detanico.

O uso de vegetais também aparece em algumas lajes, onde há o chamado Ecotelhado. Coberto de vegetais específicos, ele serve a duas funções principais: primeiro, de isolamento térmico; depois, de redução ou retardamento do fluxo da água da chuva para a rede pública – o que ajuda a evitar sobrecargas e alagamentos, por exemplo. Além disso, os vegetais ajudam na purificação do ar.

Água
O consumo também é reduzido no prédio graças à estação de tratamento de esgoto instalada no local. O sistema utiliza a água que vem dos lavatórios e das bacias sanitárias, purifica-a, e a recoloca no ciclo para descargas, regas dos jardins e usos externos em geral. “É um processo constante: a água que vem das bacias é novamente tratada e volta para o circuito [exclusivo]”, especifica Detanico.

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Outro sistema, independente, faz a captação da água das chuvas, que será usada pala lavagem de calçadas e carros. Além de diminuir o consumo do prédio, ajuda a reduzir o fluxo de água pluvial que chega à rede pública. “É uma tendência, hoje, os prédios resolverem suas questões dentro de suas unidades, em vez de passar o encargo à rede pública”, comenta o diretor da AT Arquitetura.

Na prática, os sistemas permitem que o prédio comercial consuma água tratada da rede pública apenas para uso nos lavatórios – já que, segundo Detanico, a água de beber tende a, cada vez mais, ser comprada engarrafada.

Ecológico e econômico
O custo do projeto sustentável – na casa de R$ 7milhões, no total – será diluído a médio e longo prazo, explica Detanico. A estimativa é de que a redução no consumo de energia elétrica fique em torno de 30%, e a de água deve ficar na faixa dos 50%. “São números esperados, mas isso depende projeto para projeto, do tipo de uso da construção e da quantidade de pessoas que a frequentam”, pondera Detanico.

O diretor da empresa de arquitetura explica que os recursos podem ser aplicados a qualquer projeto, e que o custo varia, também de acordo com a intenção de quem constrói, sua disposição para investir e seu tempo esperado de retorno do investimento.

“Pode-se dizer que há grupos de técnicas que são usados em cada projeto. Por exemplo, a análise do terreno para o aproveitamento dos ventos e da incidência solar na hora de organizar a disposição das peças não têm custo, é uma avaliação feita na elaboração do projeto”, exemplifica.

Em outro “grupo”, Detanico coloca tecnologias como a do Ecotelhado, que vem sendo muito usado em residências, pois não tem custo elevado em relação ao custo-benefício que obtém com a redução de consumo de energia e a melhoria na qualidade do ar.

“Recursos de automação também geram redução incrível no consumo de energia, mas o investimento é mais alto e o retorno vem a longo prazo”, continua o diretor. Ainda para quem está disposto a ter o retorno em mais tempo, Detanico cita o uso de painéis solares para o aquecimento da água.

“O primeiro passo é avaliar o perfil do proprietário e escolher os melhores recursos para cada tipo de uso e de construção. Há diferença, por exemplo, entre um prédio comercial, que fica vazio durante a noite, e uma residência familiar, que tem no período noturno seu maior tempo de uso”, conclui Detanico.

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