19/10/2009

Elas garantem: lugar de mulher é na obra

Fonte: O Globo

Sexo feminino já representa 7% dos trabalhadores com carteira assinada na construção civil do Estado do Rio

Muitos filhos costumam seguir a carreira dos pais e, no caso de Márcia Cristina Pereira de Jesus, a história não foi diferente. Ela decidiu ser pedreira. Quem acha sua escolha estranha pelo fato de a profissão ser mais comum entre os homens pode não saber que os tempos estão mudando: no Estado do Rio, as mulheres já representam 7% da mão de obra com carteira assinada na construção civil. Boa parte dessas trabalhadoras vem dando expediente em canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de pedreiras, há auxiliares de obra, eletricistas e carpinteiras. Atualmente, 134 profissionais ajudam a erguer casas populares no Complexo do Alemão, em Manguinhos e na Rocinha e, aos poucos, elas mostram aos colegas do sexo oposto que, de frágil, não têm nada.

Quem chega a um canteiro de obras do PAC precisa olhar atentamente para saber quem são os homens e as mulheres. 0 uniforme largo esconde as curvas femininas e ambos os sexos desempenham funções iguais. Márcia Cristina, por exemplo, que participa da construção de unidades habitacionais no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, sabe virar massa e chapiscar paredes como ninguém.

“A gente não vai tomar o lugar do homem. Viemos mostrar a diferença”, diz Márcia Cristina, de 36 anos, que é pedreira há dois e já trabalhou na construção de um hospital na Barra da Tijuca. “Se estamos com alguma dificuldade, logo um colega ajuda. E eu não costumo pegar peso, isso é com o ajudante.”

Nas obras do PAC. mulher também trabalha como auxiliar de pedreiro. É o caso da ex-feirante lone Freire da Paz, de 46 anos, que carrega até sacos de cimento.

“Tenho orgulho do meu trabalho. Ajudo a construir casas para a população e, um dia, vou poder fazer a minha. Além disso, as Olimpíadas do Rio vêm aí, o que deve gerar mais empregos no setor”, afirma lone.

Presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Ícaro Moreno Júnior diz que a contratação de moradores das comunidades beneficiadas pelo PAC foi uma orientação dos governos estadual e federal. Empregar mulheres também era uma prioridade e, pelo visto, elas estão agradando:

“Essa é a primeira vez que a Emop usa mão de obra feminina e a experiência está sendo positiva. Pretendemos term mulheres em novas obras. A idéia é trabalhar com elas em serviços como pintura e acabamento, pois são muito caprichosas.”

Marcos Antônio de Souza, um dos encarregados das obras do PAC no Morro Adeus, concorda:

“Elas não têm a rapidez do homem, mas dificilmente o trabalho das mulheres precisa ser refeito. A qualidade é mesmo melhor.”

PRESIDENTE DE SINDICATO APONTA AS QUALIDADES:  “Não desperdiçam material e botam ordem nos canteiros” – Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sin-duscon-Rio), Roberto Kauffmann também rende elogios à força de trabalho feminina:

“A mulher é mais cuidadosa, não desperdiça material e se envolve menos em acidentes. Também vale dizer que elas botam ordem nos canteiros de obras.”

Segundo Kauffmann, o país tem, hoje, 1,9 milhão de trabalhadores com carteira assinada na construção civil. Deste total, 112 mil são mulheres. Com o forte crescimento do setor nos últimos dois anos, elas passaram a procurar mais empregos no setor. De acordo com o Sinduscon, os salários podem ser um atrativo para quem precisa de um emprego: varia de R$ 720 (ajudante) a R$ 1.054 (eletricista).

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