14/12/2009

Eletrônicos estão cada vez mais longe da tomada

Fonte: Jornal da Tarde

Avanço tecnológico permite que as baterias usadas em computadores e celulares tenham uma autonomia maior, aumentando a mobilidade desses aparelhos. A portabilidade é hoje fator decisivo na hora da compra do produto

Estar cada vez mais livre de cabos e conexões. Poder usar os eletrônicos por horas e aproveitar ao máximo a característica que os define como portáteis. Atenta a essa busca constante do consumidor por mobilidade, a indústria trabalha para aumentar ainda mais a distância do usuários dos fios desses equipamentos.

“Tenho um notebook com sete horas de autonomia. Se fossem quatro eu já não compraria”, afirma o designer gráfico José Henrique Domingos, de 25 anos. Para ele, o desenho e a configuração do produto são importantes, mas a profissão exige que o aparelho possa funcionar horas fora da tomada. “Mesmo assim, ando sempre com carregadores, o que já tira a mobilidade do produto. Mas tenho conseguido bons resultados sem precisar carregar a bateria”, afirma.

No mês passado, quando parte do País sofreu com o apagão, o técnico em informática Carlos Amorim Nunes de Freitas, de 29 anos, não precisou interromper o trabalho que deveria ser feito naquela noite. “Tinha que finalizar um site aquela noite para entregar na manhã seguinte. Se não tivesse as três horas e meia de bateria no notebook, não teria conseguido”, diz.

É para esse público cada vez mais exigente e que não quer se preocupar com falhas no fornecimento de energia que a indústria de eletroeletrônicos trabalha no desenvolvimento de produtos que fiquem mais tempo desconectados da tomada.

“O avanço da rede sem fio e da tecnologia 3G faz com que a portabilidade seja cada vez mais procurada e consumida. Estar desligado do cabo de rede e da energia elétrica tem a mesma importância”, diz a gerente de produtos para Notebook Consumo da HP do Brasil, Marisa Lami Park.

Há dez anos, um bom notebook tinha autonomia para funcionar por uma hora. Hoje, em média, o mercado oferece produtos que funcionam por quatro horas em modo econômico – sem utilizar placa de vídeo, internet sem fio, aplicativos mais pesados. Nos netbooks, esse período pode chegar a 10 horas. Nos celulares, dez dias. “As baterias também tiveram de avançar para dar conta de todos os recursos que os computadores e outros produtos passaram a oferecer ao consumidor”, explica o analista de mercado da empresa de consultoria IDC Brasil.

As baterias dos eletroeletrônicos não só ganharam em capacidade como também tiveram tamanho e peso reduzidos, tornando os produtos cada vez mais leves e fáceis de carregar pelo consumidor.

Um exemplo são as câmeras fotográficas digitais, que estão trocando as pilhas pelas baterias de íon-lítio ou de níquel cádmio (compostos químicos que permitem que sejam recarregáveis). Com isso, as máquinas diminuíram em espessura e peso. De acordo com o gerente-geral de imagem digital da Sony do Brasil, a autonomia das baterias aumentou em 20% de 2007 a 2009, chegando a quatro horas de duração em caso de uso econômico.

Essa mesma tecnologia também permitiu o desenvolvimento dos netbooks, computadores menores que os notebooks. Além da tecnologia de baixo consumo de bateria, as telas de LED também contribuem para o melhor desempenho dos netbooks. “São bem mais econômicas, dando aos netbooks mais autonomia fora da tomada”, explica Carlos Almeida, gerente de produto da linha de Notebooks Consumo da Dell.

CELULARES – Na linha de celulares, a evolução das baterias também permitiu aos aparelhos encolherem, ganharem aplicativos e se conectarem à internet. “O avanço de tecnologia ocorreu como um todo. Para um aparelho simples, de voz e texto, em stand by, a bateria pode durar dez dias ou mais”, diz Fernando Soares, gerente de Portfólio da Nokia do Brasil.

Os fabricantes afirmam que a tecnologia que é utilizada no exterior para baterias é a mesma para o País. “Não há mais demora para esses produtos chegarem aqui. O que há de melhor também vem para o Brasil”, afirma a gerente da HP, Marisa Lami.

DICAS DE USO – De acordo com o professor de engenharia química da FEI, Luiz Novazzi, as baterias perdem por ano de 10% a 15% de sua capacidade. Isso quer dizer que com quatro a cinco anos de uso ela perde a sua funcionalidade

Para manter a bateria em bom estado, a recomendação é não deixar a peça em locais quentes e nem exposta ao sol. Isso faz a vida útil do componente diminuir com mais rapidez

AS NOVAS BATERIAIS – íon lítio e níquel cádmio – não “viciam”, isto é, não é preciso descarregar a peça para dar a nova carga. As peças mais atuais também conseguem manter o nível de carga mesmo não estando em funcionamento

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