28/01/2007

Em Brasília, aluguel também é alvo de disputas

Fonte: O Globo

Troca-troca de parlamentares e ministros inflaciona os preços na capital

Não é apenas o mundo político que fica extremamente excitado na troca de governos, ministros, deputados e senadores. O mercado imobiliário de Brasília vive, a cada quatro anos, seu melhor momento: a demanda por aluguéis sobe, em média, 30% nas imobiliárias. Algumas fontes de consulta (sites, por exemplo), chegam a registrar crescimentos explosivos, de até 125%. Os proprietários aproveitam para reajustar os preços de seus imóveis. Em 2007, apartamentos e casas já estão cerca de 10% mais caros na capital.

O Distrito Federal tem imóveis entre os mais caros do país, principalmente porque a construção tem que seguir um rígido plano urbanístico. Outra razão: a maior parte dos terrenos de Brasília pertence à União. No Plano Piloto — formado pelas “asas de avião” planejadas pelo urbanista Lúcio Costa, e onde os prédios podem ter, no máximo, seis andares — praticamente já não há espaço para novas construções, e o aluguel médio de um apartamento de dois quartos sai entre R$1,3 mil e R$1,4 mil. No Sudoeste, bairro relativamente novo de classe média, colado à Asa Sul e ao Parque da Cidade, que também segue o gabarito de seis pisos, o preço varia de R$1,1 mil a R$1,2 mil.

Em Águas Claras, área próxima da cidade-satélite de Taguatinga, que tem prédios bem mais altos, o aluguel sai em torno de R$800. Já os apart-hotéis seguem o valor do auxílio-moradia da maior parte dos assessores: R$1,8 mil mensais. Há ainda aumento de procura pelas casas dos lagos Sul e Norte — mais nobres e que circundam o Paranoá. Eleitas por ministros, deputados, senadores e burocratas — as mansões variam entre R$3 mil e R$6 mil.

— Estou registrando crescimento de 35% na procura por aluguéis — avalia Luiz César Barreto, sócio da Consult Imóveis, para quem o mercado deverá continuar aquecido por um bom tempo, já que a reforma ministerial e a posse de novos deputados, senadores e respectivos assessores só ocorrerão em fevereiro. — Até lá, demanda e aluguéis estarão aquecidos. Todo o mercado está trabalhando com preços 10% acima do normal para outras épocas do ano.

O ex-deputado Inaldo Leitão, empossado no dia 1º como secretário de articulação governamental do governo da Paraíba, em Brasília, teve problemas para alugar um apartamento na capital. Procurou um imóvel por quase 40 dias e alugou um apartamento de quatro quartos por um valor que achou salgado: R$3,5 mil mensais. O mercado estima que, se ele tivesse alugado este imóvel em setembro, teria pago, no máximo, R$3,2 mil.

— Queria um bom apartamento, perto de onde morava quando era deputado, pois me mudei com toda a minha família. Se fosse em João Pessoa, alugaríamos um apartamento até melhor do que esse por, no máximo, R$1,5 mil — compara ele.

Leitão também buscou conforto, como infra-estrutura melhor e piscina na cobertura. Por conta disso, aliás, o condomínio sobe, proporcionalmente, chegando neste caso a R$800 por mês.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.