07/12/2012

Em construção em Porto Alegre, mais recente obra de Oscar Niemeyer tem inauguração prevista para 2013

Em construção em Porto Alegre, mais recente obra de Oscar Niemeyer tem inauguração prevista para 2013

Fonte: Revista do ZAP

Projeto do Memorial a Luís Carlos Prestes foi encomendado em 1989 e teve obra iniciada em agosto de 2011

Quando o Oscar Niemeyer biológico morre, sua mais recente obra cresce em Porto Alegre, de concreto, vidro e curvas, como deve ser um Niemeyer. Atrás de tapumes numa ponta da Avenida Beira-Rio se esconde um gol antes da Copa do Mundo de Futebol, o Memorial Luís Carlos Prestes, instituição com inauguração prevista para março de 2013. Numa área da orla de conexão entre as obras do português Álvaro Siza, com a Fundação Iberê Camargo, e o espanhol Fermín Vázquez, autor do projeto de modernização do Cais do Porto, Oscar Niemeyer fecha o traçado de um caminho de arquitetura de nível internacional em Porto Alegre.

Adriana Franciosi / Agência RBSObra do Memorial Luís Carlos Prestes tem 70% das etapas concluídas

“O Memorial Luís Carlos Prestes e o Caminho da Soberania são as duas últimas obras importantes que Oscar fez”, sentencia o arquiteto Paulo Niemeyer, responsável pelo detalhamento dos esboços de ambas criações junto com o bisavô. Paulo se refere aos dois projetos de Oscar Niemeyer para a Capital: além do Memorial, prestes a receber o fechamento de vidro na semana que vem, e o outro, em homenagem a outros vultos da História, Jango, Getúlio e Brizola, este ainda na condição de projeto.

Em particular, Paulo ressalta o apreço de Oscar Niemeyer pelo projeto do Memorial, em função da amizade com o camarada Luís Carlos Prestes. O seu cuidado com essa criação chegava ao ponto de Niemeyer estar preocupado com a museologia da instituição e não admitir outro curador senão ele mesmo para a área expositiva com o acervo encarregado de contar a história do Cavaleiro da Esperança, nascido na Capital.

“É um projeto inovador no conceito do trabalho porque a parede que sustenta a obra funciona como uma coluna, mostrando beleza, solto do chão, como uma escultura – diz Paulo, referindo-se ao volume vermelho que envolve o prédio e à relação do Memorial com o entorno”, vizinho à área do Caminho da Soberania – e ao fato de ser obra pública.

Edson dos Santos, presidente do Instituto Olga Benário Prestes, entidade nacional com sede na Capital, participa do grupo de amigos comunistas de todo país envolvidos no encaminhamento da criação do Memorial Luís Carlos Prestes. Junto com o agrônomo Luís Carlos Pinheiro Machado, representa a todos na fiscalização informal do prédio.

Responsável pela execução das obras recentes no Estado e pela “costura” dessa empreitada, o arquiteto Hermes Teixeira da Rosa lembra do momento em que Niemeyer aprovou com elogios o projeto estrutural, trabalho do engenheiro José Sussekind, encarregado de manter o estilo “solto” da proposta:

“O corpo da mulher era a arquitetura dele”, disse, referindo-se ao melhor clichê gerado pela arquitetura contemporânea.

Como havia dificuldade de executar a obra no terreno enorme, de 11,25 mil metros quadrados, a solução foi uma parceria com a Federação Gaúcha de Futebol: em troca da metade da área, a instituição se encarregou de financiar a execução da obra e, após concluída, de manter o Memorial, resultado da aproximação dos prestistas com a Federação. Niemeyer viu na divisão do terreno a oportunidade de fazer deslanchar a obra.

Devido à concretagem, as rampas foram os elementos mais complexos de ser executados no trabalho com 70% das etapas concluídas. A obra, de pé-direito de 5,5 metros, está sendo construída em área com um metro de elevação em relação ao prédio da Federação, erguida com blocos de concreto e teto de laje dupla. O próximo passo será a instalação de dois vidros de 5mm cada no contorno de concreto pintado de preto. O prédio, circundado por um espelho d’água, é marcado por um volume vermelho em alusão a uma foice estilizada. Tudo protegido por tela galvanizada no fechamento do terreno de 900 metros quadrados e área construída de 750 metros quadrados. Dentro, a protagonista área de exposição, biblioteca e miniauditório (o Memorial usará a estrutura da Federação, projeto de Debiagi Arquitetos e Urbanistas, em obra).

Cronologia do Memorial
1989 – Oscar Niemeyer aceita realizar o desejo dos amigos de projetar o Memorial Luis Carlos Prestes, o que faz como doação. O detalhamento do projeto é do bisneto e arquiteto Paulo Niemeyer

1990 – Aprovação pela câmara municipal da doação do terreno da Prefeitura para a construção do Memorial

1998 – Lançamento da pedra fundamental do Memorial

15 de julho de 2008 – assinatura da minuta com a Federação Gaúcha de Futebol da cedência de 50% do terreno doado pela Prefeitura, com a contrapartida do compromisso da execução da obra e da posterior manutenção e segurança do Memorial

31 de agosto de 2011 – aprovação do projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer na Prefeitura de Porto Alegre

11 de abril de 2012 – início da obra

Dezembro de 2012 – 70% da obra realizada

Março de 2013 – previsão de conclusão e inaguração do Memorial

Caminho da Soberania, outro projeto para Porto Alegre

Projeto anterior do Memorial Luís Carlos Prestes, o Caminho da Soberania, homenagem a Jango, Getúlio e Brizola, em terreno à beira do Guaíba de 23 mil metros quadrados, ainda não entrou em campo. O arquiteto responsável pela execução do Caminho, quando for construído, Hermes Teixeira da Rosa, espera sensibilizar o poder público neste momento da morte de Oscar Niemeyer para aprovar o projeto da construção de 1,75 mil metros quadrados junto à Prefeitura Municipal, assunto que está sendo encaminhado pelo deputado Carlos Eduardo Vieira da Cunha. Essa região deve receber a sequência de uma rua na lateral que irá facilitar o acesso.

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