24/11/2008

Em meio à crise, um pouco de esperança

Fonte: Jornal da Tarde

E não é que há males que vêm para o bem: turbulência internacional reduz preço de materiais

Quem está com obra em andamento ou faz pesquisa de preço para começar um projeto de alvenaria viu os preços dos produtos básicos da construção saltarem este ano. Cimento e aço são disparados os que mais encareceram desde janeiro. No entanto, a crise do mercado financeiro internacional, que está respingando na construção civil, vai ajudar o consumidor no que se refere à custo da obra, pois os produtos já apresentam uma redução do ritmo de aumento de preço.

“O efeito da crise e o anúncio de redução de lançamentos das construtoras chegaram rápido a esse segmento, antes até do que se esperava. Os preços estão estabilizando, subindo pouco diante do ritmo de alta que estávamos passando”, explica o gerente do Grupo Pini Engenharia, Bernardo Corrêa Neto.

Nos levantamento da Pini, o custo do aço é o que mais pesou no custo das obras nos últimos meses. O vergalhão teve um aumento de 48,57% para o consumidor de janeiro a outubro deste ano. “Acredito que esse produto deve custar 10% do valor de uma obra”, diz Corrêa Neto.

A segunda prévia do INCC (Índice Nacional de Preços da Construção) medido neste mês pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) também aponta a desaceleração do encarecimento dos materiais básicos para a construção. “De um mês para cá vemos os custos dos materiais subirem menos. Enquanto neste mês, o aumento foi de 1,23%, em outubro, era de 1,74%. Antes era mais de 2% ao mês de alta”, afirma Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Análises Econômicas), da FGV. No acumulado deste ano os produtos subiram 15,86%.

Para os especialistas, a tendência é de estabilidade de preços com a redução da demanda. No entanto, não há otimismo para acreditar em queda de preços. “O que podemos perceber é apenas uma desaceleração, mas não há previsão de redução de preço”, avalia Quadros. “Eu duvido que haja queda do valor dos produtos para o consumidor. Estamos apenas com redução de demanda, e quem elevar preço não vai vender”, afirma Corrêa Neto.

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