13/05/2009

Em um mês, programa ainda não decolou

Fonte: O Estado de S. Paulo

Caixa aprovou 10 propostas; só 2 para quem ganha até 3 salários

Hoje faz um mês que a Caixa Econômica Federal passou a oferecer aos Estados e municípios o termo de adesão ao programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, lançado pelo governo em 25 de março.

Até o dia 7, quando foi apresentado o último balanço, a Caixa havia recebido 268 propostas para a construção de empreendimentos imobiliários. Desse total, 156 eram projetos para a faixa de renda familiar de até três salários mínimos. Mas apenas 10 contratos foram assinados até agora – ou 3,7% de todos os projetos oferecidos pelas construtoras. Ao todo, eles representam 1.730 unidades habitacionais.

Dos empreendimentos aprovados pela Caixa, só dois se enquadravam na faixa de renda familiar de até três mínimos. Ou seja, apenas 1,3% do total de propostas apresentadas para atender a menor faixa de renda foi contemplado pelo banco. A direção da Caixa foi procurada e não quis comentar o assunto.

Para Mauricio Linn Bianchi, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) e presidente da construtora BKO, o que preocupa não é o resultado apresentado pela Caixa até agora, mas o futuro, quando a oferta de projetos será bem maior. “O banco vai precisar de planejamento para fazer a roda girar. Sem isso, e com a atual estrutura, a Caixa não terá condições de analisar todas as propostas das empresas”, avalia. Ainda segundo Bianchi, “poderá haver um afunilamento. Só um mutirão técnico dará rapidez ao processo”.

Carlos Eduardo Marun, secretário de Habitação de Mato Grosso do Sul e presidente do Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano, reuniu-se ontem em Brasília com o deputado federal Henrique Alves (PMDB-RS), relator da medida provisória do “Minha Casa”. Ele se mostra preocupado com algumas indefinições do governo. “Assim como o relator, nós defendemos a pluralidade de agentes financeiros, não apenas a Caixa no processo. Mas o governo não abriu mão até agora dessa exclusividade”, afirma.

Outro motivo de preocupação, segundo Marun, é a exclusão das cidades com menos de 50 mil habitantes do pacote. O relator da MP já tinha como certo o aval do governo sobre a inclusão dos municípios menores, mas Marun ainda não está tão seguro de que os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Guido Mantega, da Fazenda, mudem de ideia e ampliem o programa. “Tudo vai depender das negociações com o Congresso”, opina o secretário.

Enquanto as indefinições se mantêm, as filas de interessados em adquirir a casa própria se multiplicam em todo o País. Na cidade de São Paulo, por exemplo, até o lançamento do “Minha Casa” havia uma lista de cerca de 400 mil inscritos para os programas habitacionais da Companhia Metropolitana de Habitação, a Cohab.

Em menos de dois meses desde o lançamento do programa federal, as inscrições em São Paulo, entre antigos e novos cadastros, chegaram a 626.578 – um aumento de 57%. Em média, desde que o “Minha Casa” foi divulgado, a Cohab paulista tem atendido a 5,7 mil interessados por dia.

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