08/07/2009

Em vez de cinzas, restos de madeira viram móveis

Fonte: Extra

A criatividade e a técnica são de designers do Brasil e da Itália, além de parceiros de outros países europeus. A mão-de-obra é de comunidades de baixa renda dos estados de Ceará, Maranhão, Piauí e Amapá. A partir dessa união, e com matéria-prima renovável – principalmente sobras de madeira resultante do desmatamento promovido por madeireiras na Amazônia, que se transformariam em carvão – surgem os móveis do projeto Floresta Móbile, criado pelo Conselho Euro Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra).

(Foto: Divulgação)
Em abril, Floresta Móbile participou da Feira de Milão (Foto: Divulgação)

O projeto ganhou o mundo. No mês de abril, o Floresta Móbile participou da Feira de Milão – pelo segundo ano consecutivo – e recebeu da prefeitura da cidade italiana o título de mais inovadora empresa de design.

No Brasil, alguns produtos são vendidos na loja Zona D, de São Paulo. Lá fora, a comercialização é feita principalmente em lojas de Milão e Nápolis, na Itália, além de Copenhagen, na Dinamarca, e Roterdã, na Holanda. A expectativa é que as vendas aumentem a partir de agosto. É que na feira italiana, o projeto foi convidado pela empresa dinamarquesa Normann-Copenhagen a participar da Semana de Design Escandinavo, com participação de 80 países.

“Montamos uma estrutura de promoção e venda dos produtos no exterior, porque no Brasil, historicamente, o artesanato vende pouco. Por razões culturais, na Europa, se valoriza mais esse tipo de trabalho”, ressalta o cientista social e fotógrafo Robson Oliveira, presidente do Eubra, que é também o designer de vários móveis do Floresta Móbile.

Entre as peças, há verdadeiras esculturas, como o criado-mudo Volpi, desenhado por Oliveira – com as tradicionais bandeirinhas das obras do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi esculpidas em madeira – e a luminária Cocar, criada pelo estilista de moda e designer Jum Nakao. A peça intercala madeira com retalhos de vidro e utiliza leds de baixo consumo energético, alimentados por energia solar.

Além das peças para decoração, o Floresta Móbile desenvolve outro projeto: o poste Kioto, para iluminação de áreas públicas, como praças e escolas municipais. O princípio é o mesmo da Cocar (ripas de madeira e leds), porém seu design é bem mais simples. A ideia é ensinar as comunidades a fabricá-lo para que cidades mais pobres economizem energia. 

“Vamos apresentar o poste Kioto para 50 países africanos. Estamos, agora, iniciando um projeto piloto na cidade de Várzea Alegre, no semi-árido do Ceará”,  explica Oliveira.

1 Comentário

  1. Brilhante a idéia. Reciclar é sempre bem vindo, principalmente quando promove unidade entre pessoas, regiões, comunidades. Eu gostaria de participar de um projeto desses, como que a gente faz? Sou estudante de Design de Interiores e gosto de mexer com a criatividade. Desde já, obrigada e sucesso para todos.

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