01/09/2009

Empresas de shoppings levantam mais de R$ 2,5 bi para voltar a investir

Fonte: O Estado de S. Paulo

Após atravessar a crise sem grandes perdas, companhias atraem investidores e retomam planos de crescimento

O mercado de shopping centers atravessou a crise do primeiro semestre praticamente sem arranhões, e agora as incorporadoras e administradoras estão se capitalizando para investir em expansões, aquisições e novos empreendimentos. De julho para cá, as empresas levantaram ou anunciaram a intenção de captar mais de R$ 2,5 bilhões. “A crise testou os fundamentos do setor”, afirma o analista de shoppings da Fator Corretora, Sami Karlik. “A taxa de vacância (das lojas) se manteve praticamente inalterada e os shoppings conseguiram manter suas margens.”

Diante dessa resiliência do setor à crise e de um cenário de tendência de quedas de juros, os shoppings centers – principalmente os chamados multiuso, que contam com torres comerciais e residenciais em seu entorno – entraram na mira de incorporadoras como Cyrela Commercial Properties (CCP) e JHSF, mais conhecidas por empreendimentos corporativos de luxo.

No início de agosto, a CCP levantou US$ 300 milhões em uma joint venture com o braço de investimentos do fundo de pensão canadense Canadian Pension Plan e com o GIC Real Estate, braço de investimento imobiliário do governo de Cingapura. “Nós entramos com mais US$ 100 milhões e devemos levantar duas vezes o investimento na joint venture com bancos. É uma alavancagem conservadora e que nos dará um fôlego de R$ 1,6 bilhão para investir”, afirma o presidente da CCP, Bruno Laskowsky.

A CCP vai continuar atuando nos segmentos corporativo e de galpões industriais, mas os shoppings foram eleitos como prioridade. “É uma mudança de curso estratégica”, afirma Laskowsky. “Shopping tem muita previsibilidade e trabalha com contratos defendidos da inflação.”

Outra razão que leva a CCP – divisão da Cyrela que se tornou independente em 2007 – a optar por shopping é a escassez de novos terrenos para novos prédios comerciais de luxo. Segundo o diretor da área de shoppings da CCP, José Roberto Voso, os recursos poderão ser usados tanto para aquisições quanto para a construção de novos empreendimentos. “Entramos no jogo e estamos olhando tudo.” Hoje, a CCP administra os shopping D, na Marginal do Tietê, em São Paulo, e o ABC Plaza, em Santo André. “Estamos analisando umas cinco propostas e abertos a novas.”

Dentre os projetos que serão desenvolvidos pela incorporadora estão o Shopping Matarazzo, na Avenida Paulista, que, dentro do conceito de multiuso, será construído na base de uma torre de escritórios. O empreendimento, de R $ 200 milhões, está previsto para ser inaugurado em agosto de 2013.

No Rio, a empresa está projetando o Shopping Metropolitano na Barra da Tijuca, previsto para entrar em operação em 2011. O investimento também é de R$ 200 milhões. Até 2014, o entorno do Metropolitano ganhará seis torres comerciais e também torres residenciais – estas, em parceria com a Cyrela Brazil Realty. Hoje, os shoppings representam 25% do portfólio da CCP, e o objetivo é dobrar essa participação. Com um portfólio avaliado em R$ 1,63 bilhão, a CCP lucrou R$ 33,8 milhões em 2008, com uma receita bruta de R$ 111 milhões.

Os shoppings multiuso também são o foco da JHSF, cujo primeiro empreendimento na área é o Cidade Jardim, em São Paulo. A empresa está expandindo sua atuação para Salvador e Manaus, onde está construindo verdadeiros bairros. O Horto Bela Vista, em Salvador, vai reunir, além do shopping, 19 prédios de apartamentos, três torres comerciais, hotel, clube e escola. “O fato de termos vendido o shopping Metrô Santa Cruz não significa que estamos saindo do segmento”, afirma José Auriemo, presidente da JHSF. “Ao contrário, continuamos apostando em shopping centers, mas no segmento de alta renda e dentro do conceito de multiuso.”

Os atores tradicionais do setor também estão se mexendo. Maior administradora de shoppings do País, a BR Malls captou, no final de julho, R$ 454 milhões em uma oferta primária de ações. A primeira aquisição aconteceu semanas depois, com a compra do shopping Metrô Santa Cruz. Segundo analistas do setor, até 2010, a empresa deverá realizar mais uma aquisição. A concorrente Multiplan anunciou que pretende captar algo como R$ 650 milhões em uma nova oferta primária. A empresa acaba de inaugurar o Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, num terreno que, nos próximos anos, deverá abrigar torres comerciais e residenciais.

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