16/07/2007

Empresas erguem bairros completos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Construções são inspiradas na experiência mexicana

Quase duas décadas depois de abandonar o segmento de imóveis econômicos, a construtora Gafisa retornou ao filão com o lançamento de duas empresas: a Fit Residencial e a Bairro Novo. “”Vimos condições macroeconômicas de voltar a descer na pirâmide””, diz o presidente da empresa, Wilson Amaral. Parte dos R$ 927 milhões captados com a abertura de capital foi utilizada no desenvolvimento dos dois novos negócios.

O primeiro empreendimento da Fit Residencial foi lançado em março deste ano, no bairro do Jaçanã, na zona norte da capital paulista, com unidades de R$ 60 mil a R$ 130 mil. Foi aí que Roberto Dantas e sua noiva, Janaína, encontraram as condições que vão permitir escapar do aluguel após o casamento, marcado para setembro do ano que vem. Eles compraram um apartamento por R$ 93 mil, deram R$ 36 mil de entrada com o FGTS e financiaram R$ 57 mil em prestações de R$ 720.

A Fit tem R$ 200 milhões em lançamentos previstos para agosto a dezembro. São 2.500 unidades ao preço médio de R$ 80 mil. “”Estamos prospectando terrenos nas principais regiões metropolitanas, como as de São Paulo, Rio, Salvador e Porto Alegre””, diz Amaral.

A Bairro Novo, criada em parceria com a Odebrecht, tem lançamento previsto para 2008 e foco em imóveis de R$ 50 mil a R$ 80 mil. Ela segue o modelo mexicano em que se constrói um bairro inteiro, com residências, comércio, escola, serviços e infra-estrutura. Em função do tamanho da área exigida e da grande oferta de imóveis, os empreendimentos ficam fora de áreas de maior concentração urbana, mas não tão distantes delas, num raio de 40 minutos a 1 hora.

Esse tipo de empreendimento faz parte do portfólio da Rossi Residencial desde 1999, quando ela lançou o Vila Flora, em Sumaré, na região de Campinas. No momento, a empresa já tem mais quatro projetos em aprovação.

A Rossi atua no segmento econômico desde 1992, quando criou o Plano 100, financiamento com recursos próprios em 100 parcelas. A situação do seu caixa agora é bem mais confortável. Em 2006, a empresa captou R$ 1 bilhão na Bolsa. De 2007 a 2011, ela vai lançar 43 mil unidades distribuídas entre o Vila Flora e outros dois produtos econômicos, o Praças Residenciais e o Verticais. Os lançamentos somam R$ 3,8 bilhões no período.

Outra empresa que está investindo na construção de bairros inteiros é a CR2. Metade da captação de R$ 308 milhões em abril deste ano foi destinada ao projeto de um bairro o em Nova Iguaçu (RJ), com 32 mil casas. São imóveis na faixa de R$ 50 mil a R$ 70 mil . O diretor-financeiro e de relações com investidores, Rogério Furtado, diz que a atuação, antes restrita ao Rio, vai se expandir. “”Vamos desembarcar em São Paulo, na capital e no interior””, diz.

Foco

Na Rodobens, o segmento econômico é o mais importante na empresa. “”É o nosso foco””, resume o diretor-presidente, Eduardo Gorayb. A abertura de capital em fevereiro, com captação de R$ 449 milhões, visou ao aumento da oferta de imóveis de R$ 50 mil a R$ 120 mil nas cidades do interior com mais de 150 mil habitantes

A Even também está incluindo em seu portfólio unidades de valor mais baixo. “”Nos próximos 30 dias, vamos desembarcar no segmento de imóveis de até R$ 100 mil””, diz Carlos Terepins, presidente da empresa.

A Tecnisa é outra empresa cuja linha de ação vai mudar. “”Agora vamos focar também a renda de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, com lançamento ainda este semestre de unidades de R$ 75 mil a R$ 100 mil””, diz o diretor-técnico da Tecnisa, Fábio Villas Boas. A empresa já adquiriu terrenos em municípios da Grande São Paulo e interior do Estado. A abertura de capital trouxe o ingresso de R$ 791 milhões.

A Cyrela, que captou R$ 838 milhões em 2006, entrou no segmento econômico no mesmo ano, com a marca Living – apartamentos de R$ 80 mil a R$ 140 mil. O primeiro lançamento foi em 2006, na Vila Matilde, zona leste. Desde então, foram lançados mais seis empreendimentos, totalizando 1.212 unidades.

 

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