28/03/2007

Empresas investem na “construção verde

Fonte: O Estado de S. Paulo

Novas agências do Banco Real e lojas do Wal-Mart têm iluminação natural, energia solar e madeira certificada

Eduardo Nicolau/AEZap o especialista em imóveisPlanos – O Wal-Mart, de Trius, traçou metas de sustentabilidade

À primeira vista, a mais recente agência bancária do ABN Amro Real inaugurada em Cotia (SP) não difere em nada de um posto bancário comum. Mas a agência foi concebida, desde a prancheta do arquiteto, com os princípios da construção sustentável, ou construção verde. Uso de iluminação natural, painéis de energia solar, reúso de água, tijolos reciclados e pisos de madeira certificada fazem parte do projeto, que indica uma tendência internacional que está chegando ao Brasil.

“A agência foi concebida para ser um laboratório de práticas de construção sustentável”, explica Maria Luiza Pinto, diretora de Desenvolvimento Sustentável do ABN Amro Real. Segundo a executiva, foram nove meses prospectando fornecedores e tecnologias. Algumas delas já estão bem difundidas, como as de reúso de água. A agência terá a água da chuva captada e tratada. O mesmo será feito com o esgoto: passará por tratamento biológico e químico e depois será usado para regar plantas e nas descargas sanitárias.

Cartilha

A cartilha da construção sustentável prevê ainda que estes fornecedores fiquem próximos às obras – assim, elimina-se a necessidade de deslocamentos, minimizando a emissão de poluentes com os transportes. “Nosso desafio será construir cada nova agência com base nesses princípios, e também colocá-los em prática quando houver necessidade de reformas”, diz Maria Luiza. Ao longo de 2007, o banco pretende abrir 26 novas agências.

O grupo varejista Wal-Mart traçou metas de sustentabilidade para os próximos cinco anos que incluem a adoção dos princípios da construção sustentável. Uma delas prevê a redução de 30% no consumo de energia elétrica em todas as lojas da rede. Para isso, as novas lojas que entram em operação já contam com o teto 20% mais baixo – o que diminui o gasto com ar condicionado – e lâmpadas econômicas. Em três lojas do hipermercado Bompreço no Nordeste já foram testadas energias alternativas – queima de bagaço de cana e eletricidade proveniente de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

O grupo prepara ainda a inauguração da primeira loja “verde” do Brasil, em Salvador, prevista para o início de 2008. “Teremos 100% de aproveitamento da água da chuva, energia gerada a partir de fontes eólica e solar, concreto poroso nos estacionamentos e 60% a mais de áreas verdes no entorno da loja”, explica Vicente Trius, presidente do Wal-Mart Brasil. O executivo vai além: quer desperdício zero nas lojas e até as sacolinhas já começam a vir confeccionadas em plástico biodegradável, que se decompõem na natureza em poucos meses. Nos Estados Unidos, o grupo inaugurou em 2005 duas lojas-referência em construção sustentável: em McKinney (Texas) e Aurora (Colorado). Lá, testa tecnologias que podem chegar às lojas brasileiras.

Custos

Construir de forma verde sai mais caro que os métodos tradicionais. No caso da agência bancária do ABN Amro Real, o custo foi cerca de 30% maior do que o de uma agência convencional. Trius, do Wal Mart, estima que a loja verde custará de R$ 500 mil a R$ 1 milhão a mais que uma loja sem esse apelo.

Para consultores, o aumento de custos não é uma regra. “Os projetos verdes podem ter o mesmo preço de uma construção convencional”, afirma Paola Figueiredo, diretora da Sustentax Engenharia de Sustentabilidade. Ela explica que o gasto com materiais mais caros pode ser reduzido com sistemas de iluminação natural e reaproveitamento de água, que têm custos de manutenção de 30% a 50% menores.

As consultorias que atendem interessados em usar conceitos de sustentabilidade na construção começam a acordar para o interesse das empresas – principalmente das multinacionais – nesse tipo de empreendimento.

“Hoje, as grandes são líderes na procura, já que a construção verde materializa o discurso de responsabilidade social corporativa”, conta a diretora da Sustentax, que coordena hoje oito empreendimentos verdes, de empresas dos segmentos hoteleiro, médico, varejista e imobiliário.

A construção verde 

Eficiência energética: Os empreendimentos devem ter baixo consumo de energia – com automação, lâmpadas mais econômicas e uso da iluminação natural. Também é aconselhado o uso de energia de fontes renováveis (biomassa, sol, vento)

Água: O uso deve ser racional, com combate ao desperdício. Podem ser usados sistemas de captação da água da chuva e reúso. Usam-se válvulas de descarga econômicas e torneiras com sensores

Materiais: Atenção para o uso de materiais reciclados e de origem ambientalmente correta. Já há no mercado tijolos reciclados, tintas não-petroquímicas e madeira proveniente de reflorestamento. Podem ser usados ainda materiais de construção de demolição.

Espaço externo: O empreendimento deve contribuir para a preservação da biodiversidade do local e para a redução da poluição.

 

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