30/10/2006

Empresas voltam ao bom e velho ´Centrão`

Fonte: O Estado de S. Paulo

O processo de recuperação por que vem passando o Centro da cidade de São Paulo tem levado muitos empresários a instalarem seus negócios na região. Transporte fácil, variedade de restaurantes e lanchonetes, sistema de energia elétrica confiável, boa rede de cabeamento são algumas vantagens do local

A recuperação do Centro de São Paulo, que vem ocorrendo há pelo menos cinco anos em diferentes frentes, tem chamado a atenção de empresários interessados em menores custos e até numa maior satisfação de seus empregados. A Alcântara Machado Feiras de Negócios, com 47 anos de atividades e organizadora mais de 50 mostras anuais, está entre os novos admiradores da área central de São Paulo, ao lado de outros grupos como a Empresa das Artes.

Em meio à mudança, José Rafael Guagliardi, presidente da Alcântara Machado, não se cansa de elogiar o Centro. “Olha que vista maravilhosa do Vale do Anhangabaú”, diz. A empresa, que ocupou imóvel em Santa Cecília, se transferiu para Alphaville, numa área de 6 mil m2. O retorno para a Líbero Badaró, 425 empolga Guagliardi. Ele apostou nas possibilidades que o centro voltou a oferecer com a revitalização empreendida pelo Governo, Prefeitura e iniciativa privada, especialmente nos últimos cinco anos. A Alcântara não deixará de vez Alphaville, mas levou para o centro cerca de 100 funcionários, encarregados da logística da empresa. “Até o governador tem um gabinete no Centro”, argumenta Guagliardi. De fato, Geraldo Alckmin despacha do 12º andar do prédio da Rua Boa Vista, 170, pelo menos uma vez por semana, desde janeiro.

As sete estações de Metrô que servem a área, que também conta com linhas de ônibus para todos os cantos da cidade; a grande diversidade de restaurantes e lanchonetes e a um custo relativamente baixo; cabeamento e fibra ótica em condições exemplares, além da confiabilidade do sistema de energia elétrica são apontados como as principais razões para o retorno de empresas ao Centro. “Aqui vigora o sistema reticulado de malha subterrânea, ao contrário do resto da cidade onde predomina o sistema linear e aéreo”, destaca Marco Antônio Ramos de Almeida, presidente da diretoria executiva da Viva o Centro, entidade que promove o desenvolvimento da área central de São Paulo.

A Eletropaulo informa que o sistema com tecnologia canadense não está sujeito às intempéries (chuvas e ventos) e compreende quatro circuitos: quando um falha os outros suprem o fornecimento.

Além das muitas secretarias e empresas estaduais e municipais (cerca de 14 mil funcionários), que retornaram ao centro, especialmente, no último ano, Almeida informa que a região está com novas empresas que hospedam computadores e servidores, além de call centers e até novos hotéis. “A empresa de petróleo Exxon Mobil é outra que voltou”, comemora. Nos anos 80, ela teve um escritório na Praça da República. Agora, levou para o Edifício Mercantil Finasa da Rua Líbero Badaró as unidades que estavam na Chácara Santo Antônio, Mooca e Itaim Bibi. O ponto é hoje o mais importante da empresa, atrás só da matriz no Rio.

A instalação da Associação dos Advogados de São Paulo no prédio Gastão Vidigal, na Rua Álvares Penteado, 151, também funciona como chamariz para a abertura de escritórios de advocacia no Centro. Um exemplo é o Escritório Gaia, Silva Rolim & Associados – Advocacia e Consultoria Jurídica que acaba de trocar 13 anos de Avenida Paulista pela Rua da Quitanda, 126.

Embora o Centro tenha perdido boa parte do sistema bancário para as avenidas Paulista, Berrini e Faria Lima, ele continua com 40% de sua área ocupada pelo sistema financeiro (a Bolsa de Valores e a Bolsa de Mercadorias e Futuro estão lá) e se destaca ainda pela manutenção do comércio especializado (eletroeletrônico, componentes de computadores e indústria de perfumaria, entre outros). Para completar, a NCR, produtora de caixas eletrônicos bancários, está abrindo uma unidade na Rua da Figueira.

Fábio Ávila, diretor-presidente da editora Empresa das Artes, com quase 20 anos no mercado, acaba de trocar o Itaim Bibi pela Vila Buarque (Rua General Jardim, 482). Ele conta ter rodado bem antes de decidir. “Trabalhamos com resgate histórico, patrimônio e aqui temos tudo isso à mão”, destaca.

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