12/11/2007

Endividamento ainda não causa preocupação

Fonte: O Estado de S. Paulo

Setor não ignora risco de inadimplência, mas está otimista com a evolução do financiamento

Antônio Milena/AEZap o especialista em imóveisFrustração – Keiko não conseguirá quitar financiamento do imóvel

 

 

 

 

 

 

 

 

A empresária Keiko Kakizoe suspeita de que foi a primeira compradora, há três anos, de apartamento em um prédio que acabou de ser entregue na região da Avenida Paulista. Infelizmente, ela não vai poder desfrutar a bela vista do lugar. Keiko será obrigada a revender ou alugar o imóvel porque teve de fechar a sua microempresa de exportação.

“”Faltam ainda três anos de financiamento, mas não vou conseguir pagar mais. O real valorizado prejudicou o meu negócio””, conta, desolada. “”Eu vou vender abaixo da avaliação da corretora. Acho que não vou ter lucro.””

Ainda é cedo para acender o sinal amarelo no mercado. O percentual de financiamento imobiliário no Brasil é de apenas 2% do PIB. E tem potencial para chegar a 10% em cinco anos, o mesmo patamar mexicano. Por enquanto, as empresas não demonstram preocupação com a capacidade de pagamento dos clientes. Mas nos prospectos de abertura de capital das construtoras e incorporadoras, a inadimplência aparece no capítulo dos fatores de risco.

Não dá para ignorar o problema. Afinal, as pessoas que estão se endividando para pagar um apartamento são as mesmas que compram carro e eletroeletrônicos a prestação. Na baixa renda, onde se prevê uma explosão de compra de imóveis nos próximos anos, quase 60% dos consumidores estão endividados. Seis em cada dez pessoas nessa faixa têm até quatro carnês de financiamento, segundo levantamento do Programa de Administração de Varejo (Provar), da USP.

Pequeno investidor 

A festa do consumo de imóveis também aguça o apetite do pequeno investidor. Em vez de colocar dinheiro na poupança, ele tem financiado imóveis para revender ou alugar com lucro quando estiver pronto. Essa situação tem se tornado comum em empreendimentos de classe média e média alta.

A tradutora Sylvia Crivelli comprou dois apartamentos na planta. Pagou R$ 330 mil em cada e espera amortizar o investimento em oito ou dez anos. “”É uma poupança forçada. Acho melhor pagar a prestação do financiamento que colocar o dinheiro no banco””, conta.

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