21/11/2008

Época de renda extra. E de taxas também

Fonte: Jornal da Tarde

Fim de ano é o período de se receber o 13º, mas também é o de muitas despesas a mais

Os últimos dois meses do ano costumam ser um período de grandes gastos para quem se prepara para as comemorações de fim de ano. O orçamento, geralmente, está planejado para o período, que também inclui o 13º salário para aliviar a conta bancária. No entanto, muitos moradores se esquecem que, nesta época, também há um reajuste pontual que nem sempre está previsto na planilha do mês: o condomínio.

Os custos do 13º e das férias dos funcionários, caixinhas de Natal e decoração para as festas acabam saindo além do orçamento mensal dos condomínios, e o rateio desses custos extras pode representar até metade do valor do condomínio a mais, se contabilizado ainda o dissídio dos empregados.

“O orçamento familiar é cada vez mais apertado, e nem sempre as pessoas estão preparadas para esse aumento em período de tantos gastos. O pagamento desse rateio no fim do ano ainda gera a sensação nos condôminos de que há um descontrole financeiro de quem faz a gestão da área comum”, conta Sérgio Meira, diretor de Condomínio do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo).

Para as administradoras, esse aumento, muitas vezes inesperado pelo condôminos, faz com que a inadimplência também cresça neste período. “Assim como janeiro e fevereiro, em que as pessoas costumam viajar e deixar para depois algumas contas, dezembro também é um dos meses com maior nível de inadimplência por conta dos gastos extras por causa das festas e do aumento inesperado do valor do condomínio”, diz Renato Brunelli, gerente de condomínios da administradora Habitacional.

Segundo o supervisor de condomínio do Grupo Hubert, Francisco Carvalho, os custos com a folha de pagamento são os que mais pesam no valor total da área comum de um residencial. “Decoração de Natal e caixinhas para outros profissionais não pesam tanto. Mas mesmo para aqueles que preferem o rateio no fim do ano porque é o período que recebem o 13º, o custo extra costuma ser uma surpresa”, comenta.

Pequenas receitas podem ajudar
No condomínio Edifício Isabela, no Tatuapé, o rateio ocorre todo o fim de ano para pagar os extras da folha de pagamento dos funcionários. No entanto, o valor cobrado não vai passar de R$ 40 a mais no custo mensal, pois os gestores do local trabalharam para reduzir ao máximo o impacto desse aumento temporário.

O síndico Winston Willian Maria de Campos conta que a opção dos moradores é deixar o rateio para o fim de ano, mas outras medidas foram adotadas para compensar esses extras. “Com o valor do condomínio pago todos os meses, tudo o que sobra vai para um fundo. Com isso, conseguimos pagar metade do 13º de zelador, que é o maior gasto que temos no fim de ano”, conta.

O taxa cobrada pelo uso do salão de festas e o dinheiro arrecadado com a reciclagem do lixo do edifício também contribuem para amenizar os extras deste período, como decoração de Natal e caixinhas para outros profissionais. “Só o material vendido com a coleta seletiva rende de R$ 100 a R$ 120 por mês”, explica Campos.

Nas contas do síndico, se algumas ações de redução de custos do condomínio e arrecadação de verba com outras medidas não tivessem sido adotadas, o valor no condomínio a mais no fim do ano seria de R$ 105 para cada condômino, o equivalente a um terço do valor mensal normal. “Grande parte das idéias para diminuir os impactos dos custos de 13º e outros foram trazidas pelo próprio zelador”, diz o gestor.

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