06/06/2011

Escritório europeu cria projeto de vila na Lua

Fonte: O Globo

Empresa de arquitetura italiana cria projeto prevendo a ocupação do satélite natural da Terra a partir 2069 Comente(0)

Imagem de como seria a vila na Lua (Imagem: Architecture and Vision)
Imagem de como seria a vila na Lua (Imagens: Architecture and Vision)

É uma cidade pequena, com certeza. Não como aquelas em que a vida corre pacata no entorno de uma pracinha com sua igreja, a prefeitura e simpáticas casinhas de alvenaria. Mas com lugares para práticas espirituais, assim como unidades médicas, laboratórios de pesquisa e centros de comunicação. Ali, também haveria bares, restaurantes, lugares para prática de esportes, parques repletos de plantas e, claro, um hotel para receber os turistas. Nas casas, nada de paredes de tijolos ou portas de madeira, mas as mais modernas tecnologias. O formato? Quase o de um balão inflável. E dentro dele espaços para o quarto, o escritório, a sala. Com tamanhos para abrigar famílias inteiras, casais, solteiros.

O italiano Arturo Vittori e o suíço Andreas Vogler não são cientistas, são arquitetos. Mas suas ideias, seu papo e, principalmente, seus projetos têm um tanto de futuristas e, por que não?, de lunáticos. Fundadores do escritório Architecture and Vision, de pesquisa e design, com sedes na Itália e na Alemanha, eles são os criadores da MoonCapital, uma vila para 60 pessoas morarem… na Lua! É o que mostra a repórter Karine Tavares em matéria publicada no caderno Morar Bem de hoje.

Hipoteticamente concebido para estar pronto em 2069 – ano em que o mundo comemora o centenário da chegada do homem à Lua -, o projeto não é o primeiro do gênero da dupla. Em 2009, eles tinham criado outra vila no satélite, mas para receber pesquisadores e turistas, e não pessoas comuns. Também se engajaram no design interno da Enterprise, nave para turismo espacial encomendada pela empresa suíço-germânica Talis Enterprise; e levaram à Bienal de Arte de Veneza uma casa móvel, recoberta de placas para captar a energia solar. Outro famoso projeto do escritório, em exposição permanente no MoMA, de Nova York, é a DesertSeal, tenda desenvolvida para temperaturas extremas que aproveita o calor do dia no deserto para o aquecimento noturno.

Vista da vila, com os módulos internos, e as cúpulas para proteção da radiação
Vista da vila, com os módulos internos, e as cúpulas para proteção da radiação

“O nosso propósito é permitir que cientistas e engenheiros pensem em cenários futuros, identifiquem problemas e encontrem soluções”, explica Vogler.

A construção da MoonCapital não levaria menos de 20 anos e custaria, no mínimo, U$ 300 bilhões. Afinal, por mais encantadora e sedutora que seja a Lua, e a ideia de viver nela, seu ambiente é hostil ao homem: sem água, ar ou comida e com temperaturas extremas, altas doses de radiação e dias que equivalem a um mês na Terra. Exatamente por isso, a cidade seria completamente fechada. Os módulos infláveis, feitos em alumínio e fibras como a do carbono, ficariam sob grandes cúpulas cobertas por densas camadas de regolito (um tipo de fragmento que cobre a superfície lunar), para proteger as pessoas.

“Planejamos espaços onde as pessoas tenham seu bem-estar garantido. Elas vão ter que descobrir como é viver na Lua: só queremos criar ambientes que torne isso mais fácil, interessante e divertido”, diz Vogler, que além do sócio teve colaboração dos arquitetos Dario Martini e Raffi Tchakerian.

Para isso, dentro dos módulos infláveis, haveria controle permanente de luz, temperatura e umidade e equipamentos para reproduzir as condições terrestres e evitar que os habitantes precisassem sempre estar com trajes espaciais. A localização da vila também obedeceria a critérios importantes. Ficaria no polo sul, às margens da cratera Shackelton – onde cientistas estudam a possibilidade de existir gelo. Não muito longe do porto espacial, para permitir uma rápida fuga, em caso de emergência; nem perto o suficiente da área de pouso, onde há risco de acidentes.

Mas quem pagaria por tudo isso? Para Vogler, esta seria uma missão global que tanto poderia envolver países como Estados Unidos, Rússia e, principalmente, China, como bilionários dispostos a investir seus recursos na conquista do espaço. Se isto vai se tornar realidade, até os criadores duvidam. Mas, quem sabe numa cidade assim, a brincadeira favorita das crianças não seria pegar carona numa cauda de cometa e voltar pra casa num lindo balão azul?

LEIA MAIS:

Móveis e ambientes revelam suas facetas ocultas

Confira dicas para fazer um jardim perfumado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.