21/01/2010

Esgoto vaza nos Jardins há 32 dias

Fonte: O Estado de S. Paulo

Moradores de bairro nobre reclamam do mau cheiro e da presença
de ratos e baratas

Moradores dizem conviver com insetos e baratas, que antes não costumavam aparecer por lá (Foto: José Luis da Conceição/AE)
Moradores dizem conviver com insetos e baratas, que antes não costumavam aparecer por lá (Foto: José Luis da Conceição/AE)

“Isso é esgoto. Não é água da chuva. Faz 32 dias.” O papel com essas frases colado na placa de sinalização, o mau cheiro e as poças em um trecho de 600 metros não deixam dúvidas: o incômodo é provocado pela rede de esgoto rompida. Alguém pode até imaginar essa cena no Jardim Romano, bairro do extremo da zona leste da capital, inundado desde o dia 8 de dezembro, mas a situação se passa na Rua Maestro Chiafarelli, em pleno Jardim América, na zona oeste, um dos bairros mais valorizados da capital.

Por causa disso, duas das três faixas da via, entre as ruas Conselheiro Zacarias e Doutor João Pinheiro, quase na esquina com a Avenida Brasil, estão bloqueadas. Os moradores dizem conviver com insetos e baratas, que antes não costumavam aparecer por lá. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reconhece o problema e garante que hoje os trabalhos de reparos começam a ser feitos na via (leia mais ao lado). Os moradores da rua fizeram ao menos oito reclamações à Sabesp.

O advogado Elias Haddad, de 35 anos, foi um dos primeiros a acionar não só a companhia como também a Subprefeitura de Pinheiros quando a rede de esgoto quebrou, em dezembro. “Eles (Sabesp) vieram, fizeram dois buracos na rua e só ampliaram o problema”, relata. Segundo ele, antes da visita da empresa, o esgoto ‘brotava’ de apenas um ponto do asfalto. “Agora temos três lugares com esgoto vazando 24 horas por dia.”

O advogado afirma que pegou cones de sinalização e os colocou ao redor dos buracos para evitar acidentes. “É um poço de doenças. Moramos nos Jardins, pagamos um dos IPTUs mais caros da cidade. Um bairro que deveria servir de modelo para áreas periféricas tem esse tipo de problema.”

O estrago, segundo Haddad, está ficando pior porque, com a rede quebrada, o esgoto produzido pelos imóveis não é absorvido pela galeria. “Está tendo refluxo. O esgoto está voltando para as casas.” Por causa disso, a água escura que antes ficava acumulada no lado ímpar da via, começou a se concentrar no lado par.

Com a sujeira também vieram os insetos e animais desagradáveis. “Acordamos com uma nuvem de pernilongos. Aqui nunca teve ratos e agora os vemos e ninguém toma providência”, afirma.

CHUVA – Quando chove, o problema se agrava: o esgoto se mistura com a água pluvial que desce de vias próximas e o alagamento é inevitável. “Além de deixar a rua intransitável, a água às vezes entra nas casas. A gente fica com medo porque forma um laguinho no jardim e o mau cheio empesteia tudo”, diz a advogada Emy Hase Quinto Di Camelli, de 46 anos.

Ela receia uma piora no trânsito com o retorno das aulas caso o conserto não seja feito logo. O trecho é uma via de acesso para quem vem da Avenida Paulista e precisa acessar a Avenida Brasil.

CONSERTO COMEÇA HOJE – Procurada pela reportagem para comentar o vazamento de esgoto no Jardim América, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) garantiu que os trabalhos de reparos da rede coletora de esgoto na Rua Maestro Chiafarelli, que se rompeu em dezembro, começam a ser feitos hoje.

Segundo a companhia estadual, um técnico da empresa esteve ontem no local. Ele foi até lá para sinalizar e preparar a via para os trabalhos de reparo.

De acordo com a empresa, cerca de 30 metros da rede de esgotos estão danificados e terão que ser substituídos por uma tubulação com tecnologia nova.

Os novos tubos são feitos de um material que dará mais durabilidade à rede. Ela ficará mais resistente a futuros vazamentos, de acordo com a Sabesp. Os trabalhos de conserto devem durar cerca de dez dias e devem ocupar uma das faixas da rua.

A Sabesp não informou o que provocou o rompimento da tubulação e o vazamento em três pontos, mas afirmou ainda que o início dos reparos demorou por causa da rede de eletricidade instalada na rua, que fica em cima do sistema de coleta de esgoto.

Segundo a Sabesp, esse problema demandou mais tempo para as equipes técnicas encontrarem a solução para realizar os consertos na rede.

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