04/09/2012

Estabilidade econômica faz setor registrar menores índices de inadimplência

Fonte: ZAP Imóveis

Se há algum fator que não preocupe o mercado imobiliário atualmente, este é o da inadimplência. O calote nas parcelas dos financiamentos tem caído nos últimos anos graças à redução na inflação e ao menor desemprego no País. É o que José Pereira Gonçalves, o economista especializado no mercado imobiliário, ex-superintendente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e com passagem pelo Conselho Curador do FGTS conta ao ZAP Imóveis.

 

INFOZAP – A inadimplência é um risco em potencial para o mercado imobiliário?
JOSÉ PEREIRA GONÇALVESNão. Muito pelo contrário. No caso dos financiamentos, ela vem se reduzindo nos últimos anos. E como o calote está bastante baixo, os financiamentos cresceram e as instituições financeiras tiveram um aumento no nível do retorno, já que o dinheiro que o banco emprestou antes está agora sendo utilizado para as novas operações. Então, não vemos risco a curto prazo.

E por que o setor tem registrado recentemente quedas neste tipo de dívida?
O principal motivo é a estabilidade econômica do país; o desemprego atingiu os menores números na nossa história recente. Houve uma redução de inflação, os juros sofreram baixos reajustes e, com isso, as prestações acabam pesando cada vez menos na vida das pessoas. O aumento no salário também contribuiu para esse cenário.

Quais são os tipos de contratos com maior índice de calote?
Basicamente, dentro das suas carteiras de devedores, os bancos têm como maioria os contratos mais antigos, com garantia hipotecária, firmados em tempos de hiperinflação e planos heterodoxos. São acordos de longo prazo. Mas hoje em dia não é um fator relevante no mercado de crédito. Os bancos têm histórico em atrasos nos pagamentos a partir da 3ª parcela.

Comparado com outras carteiras de crédito, como está o grau de inadimplência no mercado imobiliário?
Em relação aos outros, o setor de crédito imobiliário é um dos mais baixos, se não for o menor entre todos eles. Para se ter uma ideia, em junho passado, apenas 1,3% dos mutuários tinham mais de três prestações em atraso.

Optar por uma entrada maior na hora de financiar o valor do imóvel ajuda na queda da inadimplência?
Sem dúvida. Se você não dá nenhuma entrada, por exemplo, você não tem nada a perder caso não pague as prestações em dia. Agora, se a pessoa opta por pagar 50% do imóvel logo no início, ela pode perder esse dinheiro se ficar inadimplente. Então, há um comprometimento maior por parte do pagador quando se oferece uma boa entrada. Mas o que temos visto é uma alta do percentual de financiamento dos imóveis nos últimos anos no país. Atualmente, as quantias financiadas têm representado, em média, 63% do preço total da moradia.

Qual o perfil do brasileiro na hora de financiar um imóvel?
Ele é mais conservador. Faz um esforço grande para dar a maior entrada possível e, assim, tornar a prestação mais adequada ao seu bolso. O brasileiro opta por sempre quitar o valor antes de chegar ao final do prazo financiado. Ele usa FGTS, consegue fazer poupança, tudo para depois abater de uma vez mais de uma parcela.

Qual o valor médio dos empréstimos para compra de imóveis no país?
Em 2011, a média ficou em R$ 162 mil por unidade. No primeiro semestre deste ano, subiu para R$ 163 mil. Estes valores, mesmo com recursos da poupança, não são expressivos. Segundo a Abecip, até agora em 2012, foram financiados 213.804 imóveis e os empréstimos somaram R$ 37,32 bilhões.

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