01/07/2007

Estrangeiros na nossa praia

Fonte: O Globo

Cresce a compra de imóveis por investidores de outros países e brasileiros que moram no exterior

Há estrangeiros e “estrangeiros”, quer dizer, brasileiros que moram no exterior, invadindo a nossa praia. Ou melhor, as casas e apartamentos em frente à praia. O mercado imobiliário do país, especialmente do litoral, vem atraindo tanto o interesse dos gringos que, no mês passado, o Conselho Federal de Corretores Imobiliários (Cofeci) lançou, no Salão de Madri, um guia para orientá-los na compra de imóveis. Construtoras brasileiras também aproveitam o bom momento do setor e investem em propaganda lá fora.

É o caso da Cyrela e da MRV Engenharia, que anunciam empreendimentos, por exemplo, na Globo Internacional. Segundo Beto Ribeiro, gerente de Marketing da Cyrela, o principal público-alvo são os brasileiros que vivem além das fronteiras. E que querem ter uma segunda residência em seu país, ou estão de malas prontas para voltar.

— Anunciamos desde 2005 com o objetivo de apresentar a empresa para os brasileiros que moram lá fora. As campanhas não são focadas em um empreendimento especifico, mas na variedade de imóveis que a Cyrela dispõe em diferentes bairros das cidades de São Paulo e Rio — explica Ribeiro.

Os europeus, principalmente de Portugal e Espanha, são os principais compradores estrangeiros de imóveis brasileiros, segundo o presidente do Cofeci, João Teodoro. É que, para esses países, há a vantagem da grande diferença cambial entre euro e real. Mas, ressalta Teodoro, apesar da desvalorização do dólar em relação à moeda brasileira, também há investidores americanos.

A compra para a segunda residência é a que mais cresce, de acordo com informações do Cofeci. É o caso do francês Alain Selz. Depois de alguns anos visitando o país como turista, ele comprou, no ano passado, uma cobertura na Avenida Atlântica para passar férias.

— O preço foi bastante convidativo se comparados a imóveis do mesmo padrão em outros países. E, se quiser vender, acredito que também farei um bom negócio, pois já me ofereceram um valor 50% mais alto do que paguei — diz Selz.

No guia do Cofeci, aliás, há dicas para o candidato a comprador encontrar o melhor imóvel de acordo com sua finalidade — segunda residência, revenda, moradia definitiva, ou ainda, construção de empreendimentos. É que o forte potencial de crescimento da construção civil no país começa a atrair também incorporadores estrangeiros, observa Teodoro:

— E, via de regra, esses incorporadores investem aqui e vendem lá fora para seus próprios patrícios. As empresas de grande porte, inclusive, financiam lá a aquisição aqui no Brasil.

As imobiliárias estrangeiras também aproveitam o novo filão. Depois de fincar pé no Rio e em São Paulo, a anglo-americana Newmark Knight Frank, terceira maior corretora do mundo, já planeja a abertura de escritório no Nordeste. Isso porque a região é a que mais atrai europeus em busca de uma segunda residência. No guia do Cofeci, inclusive, dos oito estados apontados como os mais procurados, cinco estão lá (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas). Os outros três são Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Brics são os que mais atraem compradores

O presidente do Cofeci, João Teodoro, ressalta que o Brasil já figura entre os quatro principais destinos dos investimentos imobiliários do mundo, atrás de China e Índia e à frente da Rússia. Os quatro, aliás, são os países que integram os Brics (emergentes apontados como lideranças econômicas no futuro). Deles, o Brasil é o que tem maior estabilidade climática, geográfica e política.

Para o economista Marcus Valpassos, estudioso do tema habitação, num momento de extrema liquidez internacional, é esperado que os recursos migrem para os países emergentes, dos quais se destacam esses quatro. Os dois primeiros, diz ele, com populações superiores a um bilhão de pessoas e crescimento de 10% ao ano, são candidatos naturais para alocação de recursos estrangeiros.

— Por outro lado, embora a Rússia venha crescendo a um ritmo mais acelerado, ela apresenta problemas de falta de previsibilidade das regras que, juntamente com denúncias de corrupção, acabam por afugentar o investimento. O Brasil, embora sofra por conta dos mesmos fatores, se apresenta melhor aos olhos dos estrangeiros em virtude da melhora significativa das variáveis macroeconômicas.

 

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