09/10/2009

Estratégias próprias para driblar as dificuldades de comandar um prédio

Fonte: O Globo

Cada um a seu modo, gestores ganharam a credibilidade da vizinhança

No edifício administrado por Jane Di Castro, a mudança foi tanta que surpreendeu àqueles proprietários que, com seus apartamentos alugados, estavam há algum tempo sem ir ao edifício. Jane, estruturou uma série de estratégias próprias para driblar as dificuldades e o reconhecimento não tardou a vir, mas não foi suficiente para evitar um triste episódio numa reunião de condomínio no ano passado:

“Depois de descobrir que eu era um travesti, um morador resolveu se candidatar ao posto. Ele não teve um voto sequer e ficou inconformado com a minha vitória. Era um homofóbico. Começou a me ofender, teve um enfarto e morreu ali mesmo, na frente de todo mundo”, conta.

“Segredo está em tirar proveito de cada centavo”

E foi seguindo os ensinamentos ditados em seu livro de cabeceira que Moysés Alves diz ter realizado uma série de melhorias como a reforma da piscina e da quadra de esportes, a instalação de um sistema de segurança com 25 câmeras digitais e dois computadores, além da individualização da medição de água. Tudo isso, ressalta, sem aumentar o condomínio desde 2006.

“No capítulo intitulado “O que dirige sua vida?”, o autor diz que muitos são dirigidos pela culpa, outros pelo desejo de aprovação, rancor, raiva, medo e materialismo. Então, o importante, explica ele, é conhecer o propósito de nossas vidas. Sem um propósito claro, a tendência será tomar decisões com base nas circunstâncias, nas pressões do momento e no humor do dia. E esse tipo de atitude só gera estresse”, filosofa.

Ao assumir a gestão do condomínio Iaraquã, Carlos Antônio Bottino conta que sua primeira reação foi recorrer à fé. E, de fato, brinca ele, conseguiu fazer milagres diante de uma inadimplência que oscilava entre 40% e 60%. Até passar por cirurgias no coração, colocava a mão na massa ao lado dos funcionários. Já até ajudou a apagar um incêndio num apartamento. Inalou tanta fumaça que acabou indo parar no hospital.

Estratégias próprias para driblar as dificuldades de comandar um prédio

“Nunca tinha me imaginado nessa posição. Mas na época, diante dos meus concorrentes, resolvi me dar esse voto de confiança. Ainda existe o estigma de que muitos síndicos metem a mão no dinheiro do prédio. Por aqui, há quem ache que tenho um pé de dinheiro”, diverte-se ele.

O segredo, completa o síndico, está em tirar proveito de cada centavo. Foi assim que revitalizou a área de lazer do condomínio e instalou uma biblioteca, um viveiro e uma horta.

SÓ COM RESULTADOS FOI POSSÍVEL DRIBLAR O DESCRÉDITO – Já no Leblon, Felipe Prado não precisou de muito tempo para vencer a desconfiança dos vizinhos. Logo, as melhorias foram acontecendo: começou pela reforma da portaria, depois veio a troca da tubulação de incêndio e a instalação de um pára-raio. Agora, a reforma da fachada é o próximo passo.

“À medida que os resultados foram aparecendo, fui ganhando reconhecimento. Na verdade, a síndica eleita foi a minha mãe, mas eu acabei assumindo essa responsabilidade com o consentimento dos moradores e hoje todos recorrem a mim quando precisam resolver algum pepino”, confessa o rapaz.

Certo dia, voltando de uma festa, ele encontrou a portaria vazia. Não pensou duas vezes: pulou o portão. Nada que desabone a sua conduta.

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