03/02/2008

Estudantes aquecem mercado de aluguéis

Fonte: O Estado de S. Paulo

Vila Mariana, Perdizes e República estão entre as regiões preferidas

Alex Silva/AEZap o especialista em imóveisProcura – Priscila percorreu Perdizes e achou unidades cujas despesas mensais somam R$1.200

Nos primeiros meses do ano, o já movimentado mercado de locação de São Paulo ganha o reforço de mais um público: o de estudantes vindos de outras cidades. Nos bairros onde há concentração de importantes centros universitários como Perdizes, Vila Mariana, Butantã e República, a procura por unidades tende a aumentar.

A mineira Priscila Ferreira Uba, de 18 anos, da cidade de São Lourenço, é uma representante típica deste comportamento sazonal. Ela passou no vestibular do curso de Moda em duas faculdades de São Paulo e, antes de escolher em qual delas se matricular, já começou a procurar apartamento por aqui. “Olhei em Perdizes, perto da faculdade Santa Marcelina. Até gostei, mas achei pequenos.” Como, a princípio, a intenção é morar sozinha, o tamanho da unidade não será empecilho. “Para uma pessoa, dá.” Os preços que encontrou, somando os valores do aluguel e do condomínio, chegam a R$ 1,2 mil.

Mas Priscila não descarta a possibilidade de procurar um apartamento maior para dividir com alguém. “A despesa fica mais baixa e você tem uma companhia. Numa cidade grande, isso faz diferença”, diz. Esta é uma alternativa comum encontrada pelos estudantes. Priscila até já encontrou uma candidata a colega de apartamento.

Mercado

Segundo José Augusto Vianna Neto, presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), o principal alvo deste público são as unidades de um e dois dormitórios. “Quando passa de dois dormitórios é porque tem divisão do valor do aluguel entre mais estudantes.”

A procura é tão grande que faltam imóveis no mercado. “Tem até filas. Sempre nos bairros onde estão as universidades, esses imóveis têm liquidez muito alta.” É que morar a poucos quarteirões da universidade facilita a vida dos estudantes que, normalmente, não têm carro e o orçamento é apertado. “Ele vai querer ir para a aula a pé. Vai querer economizar com condução.”

Mas quando não há unidades tão próximas à faculdade, os bairros perto das estações do metrô são a alternativa mais procurada, como Santa Cecília, Paraíso e Liberdade, que concentram imóveis pequenos para locação. A proximidade de avenidas bem servidas de transporte público também conta ponto na escolha.

Porém, a localização influencia no preço. “Quanto mais próximo do centro, mais alto fica”, afirma Vianna Neto. No geral, o valor médio do aluguel tanto de unidades de um como de dois dormitórios é de R$ 600. “Quase 60% dos imóveis alugados no Estado são nesse valor. Essa tem sido uma média histórica que não muda nos últimos quatro anos”, afirma. Mas segundo o executivo, o preço pode variar muito de acordo com as características de cada unidade.

“A pessoa pode achar por R$ 400 ou R$ 800 por mês. Isso vai depender do padrão do prédio, se é novo, se tem garagem, se é de primeiro andar ou de fundos.” Para este público, segundo analisa Vianna Neto, área de lazer, decoração ou idade do prédio não interferem tanto na busca. “Dificilmente ele vai procurar pelo conforto. O preço desses imóveis é o fator mais importante. Eles buscam o mais barato possível porque sabem que esta será uma despesa compulsória por um período longo.”

Conforme o vice-presidente de locação do Sindicato das Empresas da Habitação (Secovi-SP), José Roberto Federighi, imóveis bem conservados são os que têm maior demanda. “Ninguém quer pegar um imóvel para reformar”, afirma.

Imóveis mobiliados também são bastante aceitos, já que poupam os inquilinos dos gastos altos na compra de mobílias.

Porém, é necessário analisar se compensa. “É interessante quando tem o básico como armários embutidos. O restante é muito pessoal”, afirma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.