05/02/2010

Estudantes movimentam mercado de locação paulista

Fonte: Revista ZAP

Procura por imóveis para alugar na Capital e no Interior cresce até 40%, identifica Secovi-SP

Por causa da procura estudantil locação pode aumentar até 40% (Foto: Divulgação)
Por causa da procura estudantil locação pode aumentar até 40% (Foto: Divulgação)

Janeiro e fevereiro são meses de grande agitação no mercado de locação. Muita gente aproveita o período de férias para trocar de casa. Um fator que movimenta ainda mais o segmento nesta época do ano é a busca de imóveis por estudantes que passaram no vestibular ou por universitários que, na mudança de ano letivo, querem imóveis maiores ou melhores. Por causa da demanda estudantil, em alguns municípios paulistas a procura por um local para morar pode aumentar até 40%.

Esse tipo de demanda é visível na capital paulista, que concentra diversas universidades de renome, como Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), e também em municípios como Campinas – onde estão a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a PUC – e Piracicaba – lá estão a unidade de Odontologia da Unicamp, a Escola de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq) e a Universidade Metodista (Unimep).

Na cidade de São Paulo, segundo Hilton Pecorari Baptista, diretor de locação Residencial do Secovi-SP, a demanda universitária começa a crescer entre o final de janeiro e o começo de fevereiro nas regiões próximas às universidades. “Esse já é um período de grande rotatividade no mercado de locação e isso cresce ainda mais por causa desse público”, diz ele.

Não há levantamento específico que confirme essa movimentação, mas a Pesquisa sobre Valores de Locação Residencial do Sindicato capta, de certa forma, essa agitação na capital paulista. Em janeiro de 2009, enquanto os preços dos aluguéis na cidade subiram 0,9%, em média, frente ao mês anterior, na região central – que concentra inúmeras instituições e de onde se chega facilmente a todas as regiões – a locação de imóveis de 1 dormitório, em bom estado, teve aumento médio de 8%. “Na mesma região, os imóveis de 2 dormitórios ficaram 17,3% mais caros e os de três, 17,2%”, informa Roberto Akazawa, gerente do Departamento de Economia do Secovi-SP.

Entre as regiões que costumam registrar maior procura por imóveis para alugar na Capital, de acordo com Pecorari Baptista, estão Higienópolis e Vila Buarque, onde estão o Mackenzie e a Faap; Perdizes, onde fica a PUC; Vila Clementino, onde está a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Butantã, nas proximidades da USP. “A maior demanda é por imóveis de menor porte, de 1 ou 2 dormitórios, justamente os mais difíceis de encontrar em São Paulo”, ressalta Pecorari Baptista. “Há cerca de um ano e meio o valor de locação desse tipo de imóvel está em alta, por causa da conjugação alta demanda e oferta reduzida.”

O diretor do Secovi-SP conta que um estudante desembolsa de R$ 600 a R$ 1.100 por mês para morar sozinho em um imóvel de 1 dormitório em boas condições localizado na Capital. O pico se refere a imóveis mobiliados. Segundo Pecorari Baptista, muitos universitários optam por unidades de 2 dormitórios, que acomodam uma média de quatro pessoas.

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Uma particularidade interessante desse tipo de aluguel, diz o diretor do Secovi-SP, é que nesse tipo de locação são normalmente os pais dos estudantes que servem de fiador. “Dificilmente o pai deixa o filho em apuros, e isso é uma segurança a mais para as imobiliárias”, completa.

INTERIOR – Em Campinas, informa Rosana Chiminazzo, diretora de Locação do Secovi-SP na região, a movimentação estudantil começa no finalzinho de dezembro. “Em janeiro, a demanda dispara, situando-se cerca de 30% acima da de outros meses”, comenta, acrescentando que a procura segue aquecida em fevereiro. Conforme ela, chamam mais a atenção dos universitários os imóveis de 1 e de 2 dormitórios. “Existe na cidade uma preocupação com a ocupação dos imóveis por estudantes, porque os proprietários querem evitar a formação de repúblicas. Por isso, na maioria dos casos eles limitam o aluguel de imóveis de 1 quarto para uma ou duas pessoas.”

Em Piracicaba, informa Angelo Frias Neto, membro da vice-presidência de Locação do Secovi-SP e diretor presidente da Frias Neto Consultoria de Imóveis, baseada no município, a busca de imóveis por estudantes está concentrada nos meses de janeiro e fevereiro, após a segunda fase dos vestibulares da Unicamp e da Esalq, pertencente à USP,e do vestibular da Unimep. “No primeiro bimestre do ano, a procura por imóveis é 40% superior à média de outros meses”, relata, explicando, que as famílias preferem mudar em meses de férias, o que também ajuda a inflacionar o mercado.

Na cidade, a preferência dos estudantes é por imóveis grandes, que acomodam de 5 a 15 pessoas e que podem ser transformados nas chamadas repúblicas. Mas também há universitários que se juntam em grupos de duas ou três pessoas e optam por apartamentos de 1 ou 2 quartos. “Muitos condomínios com unidades de 2 e 3 dormitórios fazem restrições a grupos de estudantes”, comenta Frias Neto. Segundo ele, devido aos universitários – um contingente formado por mais de 14 mil pessoas, consideradas apenas Unimep, Esalq, Odontologia da Unicamp e Fundação Municipal de Ensino -, os estoques de imóveis para locação estão normalmente zerados no início de março.

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