06/07/2009

Exemplo de um apê ecologicamente responsável

Fonte: O Estado de S. Paulo

Designer refez imóvel em Barcelona usando só recursos sustentáveis

Em 2006, Petz Scholtus, designer de produção de 28 anos, trocou Luxemburgo, onde nasceu, por Barcelona. Por pouco menos de US$ 300 mil, comprou um apartamento de um quarto num prédio do século 18, no Barri Gotic, a cidade velha, onde hoje mora e trabalha. O imóvel não tinha encanamentos, nem eletricidade; as janelas estavam sem vidros; o banheiro era num closet no terraço e o que depois se tornou o quarto estava fechado por uma parede. As vigas do teto de madeira maciça estavam cheias de cupins.

Petz assumiu o desafio de tornar o apartamento uma morada ecologicamente responsável e, importante, sem gastar muito. Enquanto só agora os americanos passaram a olhar mais atentamente para as práticas sustentáveis nos mais diversos níveis – desde a criação de um limite para as emissões industriais até o uso de lâmpadas fluorescentes -, as experiências da designer (que ela narra no seu blog, r3project.blogspot.com) são uma lição de como uma pessoa pode realizar seus ideais.

Ao iniciar a empreitada, Petz trabalhou com base nos três erres do ambientalismo: reduzir, reutilizar, reciclar. Para economizar o aluguel durante a obra, ela passou seis meses dormindo em sofás na casa de amigos e trabalhando a partir do seu laptop.

A parte de demolição foi bem-feita. O pedreiro retirou resíduos da madeira com jatos de areia (uma alternativa não tóxica ao uso de produtos químicos), recolheu todos os detritos, separando e reaproveitando o material não prejudicial ao meio ambiente, como a cortiça do assoalho, que foi juntada como um quebra-cabeça, sem uso de cola. Um eletricista colombiano, que se tornou seu construtor em período integral, ajudou Petz a encontrar canos sem PVC. Para aquecer o apartamento e a água, ela comprou um boiler a gás, que enfiou no closet do terraço, onde ainda fica o banheiro, mas isso só depois de pesquisar uma solução com energia solar, que era sua primeira alternativa. “Existem mais painéis solares per capita em Luxemburgo do que aqui”, disse. “E aqui tem mais sol.” O apartamento, porém, está dois andares abaixo do telhado do prédio, portanto o aquecimento solar não era uma solução possível.

O fato de Petz não ter nenhum móvel também ajudou no seu projeto de ecorrenovação. A mesa da sala de jantar é um bloco de vidro que ela encontrou no entulho do apartamento. “O pessoal que trabalhava na reforma se queixou que era muito grande para remover”, contou. Alguns cavaletes encontrados na rua foram pintados e colocados sob o bloco, criando uma mesa. Caixas de vinho desmontadas viraram portas de gabinete de cozinha da Ikea, e gavetas velhas, também recolhidas na rua, servem para guardar revistas.

Algumas coisas não deram certo, como os ladrilhos feitos de telas de aparelho de TV trituradas, assim como o sistema de roldanas que o namorado dela inventou para subir três lances de escada até o apartamento. Em compensação, ficou bem na sala o grande pufe feito de tecido de assento de carros reciclado, um vaso de pneu velho, uma poltrona que ela encontrou na Plaza George Orwell na qual fez uma decupagem usando jornais, e uma prateleira que vai do chão ao teto feita de compensado certificado e pintada com tinta contendo poucos componentes orgânicos voláteis. No terraço, larvas roem restos da cozinha, fazendo um composto para seu canteiro de ervas.

“Aqui, as pessoas acham que tudo o que é sustentável é para rico ou então é uma coisa horrível, hippie, de baixa qualidade”, diz Petz, que adora descobrir a cidade de bicicleta.

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