07/07/2009

Expansão imobiliária no Estado do Rio deverá atingir novos municípios

Fonte: O Globo

Especialista da Ademi faz uma análise das áreas disponíveis para a expansão imobiliária no Estado do Rio e aponta novos rumos. Clique aqui e confira

(Foto: crisserpa/Stock.xchng)
Cerca de 70% dos lançamentos estão concentrados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca (Foto: crisserpa/Stock.xchng)

Rio de Janeiro – A falta de terrenos na Zona Sul do Rio tem estimulado a construção de novos empreendimentos em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Isso faz com que essas regiões liderem há cinco anos o ranking de lançamentos. Em 2008, a pesquisa da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) do Rio de Janeiro apontou que cerca de 70% dos lançamentos estavam concentrados nessas áreas. No entanto, de acordo com Paulo Fabrianni, conselheiro da Ademi, em 20 anos, esses bairros não terão mais possibilidades de expansão. E por isso, os investidores já devem ficar atentos para estudos em municípios até então não explorados, como Maricá, Itaboraí e Magé.

De acordo com o cenário econômico e com as taxas de crescimento, o Estado do Rio de Janeiro deverá ter, nos próximos 20 anos, mais 3 milhões de moradores. “Esse crescimento não é apenas vegetativo, ele inclui o movimento imigratório devido ao êxodo de outros estados atraído pelas novas atividades econômicas, como é o caso do Emirado Árabe de Macaé”, explica Fabbriani.

De acordo com o conselheiro da Ademi, a Baixada de Jacarepaguá, que compreende a região da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, tem capacidade para abrigar mais 1 milhão de moradores e que as áreas de planejamento do Centro e do entorno da Avenida Brasil, caso fossem reestruturadas, poderiam abrigar outro milhão. Para atender a novas demandas habitacionais será necessário atravessar para o outro lado da baía de Guanabara em direção a outros municípios.

“O Rio terá que se expandir em direção a locais onde não há lançamentos como Maricá, Sampaio Correia, Aeroporto, Itaguai. São regiões que irão receber atividade econômica muito forte. Deverá acontecer o mesmo fenômeno ocorrido na Barra em 1999, principalmente em áreas próximas a Itaboraí, Magé, Maricá e São Gonçalo”, explica Fabbriani.

ZONA SUL X BAIXADA DE JACAREPAGUÁ – A Zona Sul não tem mais capacidade para aumentar sua área de moradia e receber um número expressivo de habitantes devido a falta de terreno. Apesar de ser possível encontrar algumas ofertas pontuais em bairros como Botafogo, Flamengo e Laranjeiras, de acordo com Fabbriani, a Barra e a Baixada de Jacarepaguá ainda são alternativas para investimento imobiliário.

“A Barra da Tijuca e Jacarepaguá formam ainda a grande área de expansão urbana. Na verdade, houve uma transformação muito significativa de 1999 para cá, notadamente com a instalação de grandes empresas nessa região, com um grande número de funcionários que passaram a avaliar melhor o lugar como opção de moradia. A maior dificuldade desta região era a ligação troncal com o restante da cidade. Antes da construção da Linha Amarela só havia acesso pela Lagoa -Barra e o Alto da Boa Vista”,  diz Paulo Fabbriani.

Mas para Fabbriani, o processo de mudança para a Barra e Jacarepaguá ainda é lento. O transporte nestas áreas é um dos principais problemas para seu desenvolvimento, seja por causa dos congestionamentos ou pela deficiência do transporte público.

A Linha Amarela já se encontra exaurida em determinadas horas do dia, devido a um grande número de pessoas que ainda faz o trajeto casa-trabalho. Na medida em que a área vai se consolidando, ela vai se tornando uma opção de moradia e de qualidade de vida. Na Barra, a deficiência em transporte público incentiva o uso do automóvel contribuindo para os congestionamentos. A ausência de um transporte de massa significa que um casal deverá ter dois carros. É por este motivo que a Barra mantém uma ocupação elitista.

A comparação entre o cenário de ocupação da Zona Sul, e das áreas de expansão urbana mais recentes, faz parecer serem duas cidades diferentes. De um lado, as ruas emparedadas por edificações mais antigas, sem afastamentos laterais, e do outro, torres de apartamentos em meio a extensas áreas livres. O tipo de vida dos moradores também é bem diferenciado.

Comparativamente, na baixada de Jacarepaguá e Barra, os empreendimentos imobiliários são destinados a um número maior de moradores do que na Zona Sul. Num conjunto residencial com 2 blocos de 200 a 300 aptos são aproximadamente 1200 residentes que dividem os mesmos equipamentos comuns, numa razão compatível com a renda das pessoas que vão comprar esses apartamentos. Na Zona Sul, não há espaço para se ter este tipo de empreendimento. Os edifícios têm 20 ou 15 aptos. É outro tipo de ocupação, outro modo de vida. Nesta região não é obrigatório ter equipamentos de lazer no prédio, devido à proximidade da praia, da Lagoa, e a possibilidade de ir a pé para qualquer lugar. É outro conceito – explica o conselheiro da Ademi.

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