25/11/2007

Extremidades

Fonte: O Globo

Para cima e para baixo, mercado tem preços e prestações dantes nunca vistos

O casal Mário e Zamira Froio, ele engenheiro naval e ela fisioterapeuta, acaba de comprar um quatro-quartos num condomínio de luxo em Botafogo, onde os preços dos imóveis variam de R$900 mil a R$1,8 milhão. Já deram a entrada e, depois da entrega das chaves, pagarão parcelas de R$13 mil por 100 meses (pouco mais de oito anos). A técnica de farmácia Daniele dos Santos também acaba de adquirir sua casa própria, um dois-quartos novinho em folha em Mesquita, na Baixada Fluminense. Pelo imóvel de R$30 mil, ela vai pagar, durante 15 anos, à Caixa Econômica, prestações de R$168.

Mensalidades com valores tão distantes são exemplos de que há muito crédito na praça. Mas, enquanto para as famílias de baixa renda, isso significa passar a ter condições de comprar a casa própria, para a classe média alta, é sinônimo de pressão nos preços. A explicação é que, no caso desta faixa de renda, não há tantos empreendimentos pela cidade.

Resultado: o Les Palais, da RJZ/Cyrela, em Botafogo, onde a família Froio está comprando seu apartamento, tem preços que se equiparam aos dos últimos lançamentos na Lagoa — o que não impediu que 90% dos imóveis fossem vendidos logo após o lançamento. Até porque, em Botafogo há espaço para a infra-estrutura dos condomínios e a metragem dos apartamentos serem mais generosas.

— Estamos há um ano procurando imóvel para comprar. Chegamos a visitar apartamentos em Ipanema e Leblon, mas eram pequenos e caros — diz Zamira, que optou por uma unidade térrea, dessas com área externa digna de uma casa.

— Pago aluguel há oito anos. É bom pagar por uma coisa minha — comemora Daniele, que se muda em dezembro.

O corretor Paulo César Ximenes, da Ximenes Empreendimentos, ressalta que, se por um lado há déficit habitacional no segmento popular, por outro há escassez de empreendimentos de altíssimo luxo:

— A valorização imobiliária ainda virá, o aquecimento desse setor está começando agora. Por enquanto, a pressão está nos preços dos terrenos. O Les Palais e o Riserva Uno, na Barra, estão colhendo os frutos de terem quebrado paradigmas, ou seja, são projetos de altíssimo padrão fora do eixo Lagoa/Ipanema/Leblon.

O Riserva Uno, continua Ximenes, detém a marca de ter tido a cobertura na planta mais cara do país. Recorde que, diz ele, será quebrado no ano que vem com o lançamento de um condomínio no Leblon, em que o imóvel do último andar custará entre R$15 milhões e R$20 milhões.

Tendência de valorização

Para o segmento popular, a explosão de crédito até se reflete ligeiramente nos preços. Mas, por ser um mercado pouco explorado até agora, ainda não há parâmetros para comparar valores, diz André Vieira, diretor-executivo da construtora Tenda, voltada para o setor. A empresa é um exemplo: o preço médio de venda de suas unidades teve valorização de 6% em um ano — foi de R$71,3 mil no terceiro trimestre de 2007, contra R$ 67,1 mil de igual período de 2006. Mas o cálculo é feito a partir de números pouco significativos, lembra ele:

— Lançamos 84 empreendimentos nos primeiros nove meses do ano, contra apenas sete do mesmo período do ano passado. Isso dá um aumento de 1.100%, mas sobre um número anterior modesto.

O diretor da Sam Consultoria e professor da Fecap, João Bosco Segreti, ressalta que os dois extremos — baixa renda e classe média alta — tiveram ganhos nas condições de financiamento em 2007. Com mais potenciais compradores, a tendência é de valorização imobiliária:

— Há um incentivo governamental para os bancos financiarem imóveis de até R$120 mil (esse crédito é computado três vezes na exigibilidade de empréstimo com recursos da poupança). Então, eles oferecem esse produto com juros mais baixos, de até de 9% durante todo o contrato. Por outro lado, quem compra imóvel acima de R$350 mil e, portanto, só se enquadra nas linhas com recursos dos próprios bancos, foi beneficiado com a queda de juros da faixa de 15% a 16% para 12% a 13%.

 

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