14/10/2007

´Falta alfabetização ecológica`

Fonte: O Globo

Construção sustentável não pode se restringir à elite, diz arquiteto

Arquivo/O GloboZap o especialista em imóveisCasa sustentável na Urca

Fundador do Espaço Brasileiro de Arquitetura (EB-A), escritório que atua no Brasil e em outros países, o arquiteto e urbanista Gláucio Gonçalves afirma que é papel dos profissionais do setor levar a sustentabilidade para as construções das classes sociais mais baixas. Segundo ele, temos de ser alfabetizados ecologicamente, aprendendo a incorporar à arquitetura materiais que a natureza nos oferece.

Na relação com Angola, Portugal e França, onde o EB-A também atua, quanto o Brasil já avançou em termos de arquitetura sustentável?

GLÁUCIO GONÇALVES: Em alguns países da Europa, a arquitetura sustentável já é uma realidade. No Brasil, estamos começando a despertar timidamente para o assunto e em Angola, infelizmente, a arquitetura sustentável vai demorar um pouco a chegar.

O que falta para a arquitetura sustentável tomar um bom impulso aqui?

GONÇALVES: A conscientização de que ela deve ser usada em construções de todas as classes sociais, e não somente na elite. Para isso, as pessoas precisam saber que o uso de energias renováveis, como a solar, o reaproveitamento da água, a coleta de águas pluviais, a correta seleção dos materiais e a reciclagem são itens mínimos, fundamentais, a serem considerados na hora de definir um projeto. As pessoas podem fazer uma economia grande de energia e água. Assim, ao mesmo tempo em que economizam dinheiro, contribuem com o meio ambiente.

O custo de uma construção sustentável não difere tanto da tradicional. O que falta, então?

GONÇALVES: A primeira coisa a ser feita é conscientizar nossos canteiros de obras, nossos profissionais do setor, sobre a importância de nossas atitudes para as próximas gerações. Segundo o relatório de Brudtland (da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento), “a humanidade tem a habilidade de atingir o desenvolvimento sustentável e satisfazer suas necessidades presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras em satisfazerem suas próprias necessidades”. Tudo isso não pode apenas ficar no papel e não fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

Que técnicas construtivas sustentáveis têm o maior custo-benefício?

GONÇALVES: A construção sustentável é um assunto muito amplo e profundo. Acredito que técnicas e recursos que produzem maior custo-beneficio, num primeiro momento, sejam aquelas que envolvem a economia de água e energia. Mas existem, por exemplo, organizações não-governamentais que realizam trabalhos interessantes com materiais e técnicas alternativas, utilizando o bambu, o pau-a-pique, a taipa de pilão, entre outros, como parte integrante da construção civil.

São materiais acessíveis?

GONÇALVES: São materiais que a natureza nos oferece e que podemos incorporar a nossas vidas sem deixar de satisfazer nossas necessidades. Porque, de fato, a sustentabilidade tem de ser uma conduta de vida: falta alfabetização ecológica.

 

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