21/08/2009

Falta de conforto ambiental é problema em novas construções do Rio, alerta especialista

Ruídos e dificuldade de ventilação estão entre os principais problemas

Rio de Janeiro – O barulho do elevador social invade o quarto. À noite, o som da televisão do vizinho atrapalha a concentração na hora de dormir. A falta de preocupação com o conforto ambiental nas construções pode trazer problemas como esses para a sua casa. Segundo Claudia Barroso-Krause, professora de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, grande parte das novas edificações do Rio não desenvolve estudos necessários para preservar a individualidade do morador em sua residência. Os ruídos, a falta de acesso à luz natural e a dificuldade de ventilação nos ambientes, diz, são os principais problemas dos projetos das novas edificações.

“Até a década de 1960, 1970, as casas tinham espaços amplos, pé direito alto. Agora, por uma questão de custo e por falta de consciência de muitas construtoras, a individualidade do morador ficou prejudicada. Os projetos ficaram cada vez mais empilhantes. Nas torres da Barra, com muita gente aglomerada, o que uma pessoa fala o vizinho escuta. Além disso, passamos a ter pouca ventilação em locais considerados menos nobres, como banheiros e cozinhas. São lugares que vão ficando cada vez mais insalubres. A falta de acesso à luz natural nos ambientes também prejudica bastante o conforto do morador. A radiação solar, que vem junto com a luz natural, tem um poder desinfetante, tornando os ambientes mais saudáveis”, explica Claudia Barroso-Krause.

Antigamente, as paredes externas das casas eram construídas com tijolo dobrado, o que minimizava a penetração do calor e dos ruídos externos nos ambientes. Segundo a especialista em conforto ambiental, hoje, os prédios são erguidos com tijolos que facilitem a execução da obra. Além disso, as janelas não possuem nenhuma proteção para infiltração de luz, como uma sacada ou báscula. Isso dificulta o controle de intensidade de luz e ventilação nos ambientes. O resultado é o aumento da temperatura nos espaços internos e a conseqüente necessidade de ar condicionado.

O barulho e a vibração da casa de máquinas dos elevadores que tanto incomoda os moradores dos apartamentos nos andares mais elevados podem ser evitados ainda na construção com a colocação de uma manta de borracha. O poço de ventilação também mal projetado leva ruídos e odores indesejáveis para dentro de casa. Para a arquiteta, resolver um problema de acústica depois da obra pronta é muito mais difícil e requer um especialista experiente.

Calor e infiltração são também problemas que afligem os residentes situados nas cobertas dos prédios. Mas nem sempre os problemas de impermeabilização dos telhados são de responsabilidade da construção.

“A cobertura bem feita é aquela que tem uma impermeabilização e uma telha que faça o escoamento da água da chuva para uma calha e permita que a radiação solar não esquente demais a coberta. Os telhados de pixe e de telhas de cimento absorvem muito calor, transmitindo-o aos apartamentos mais próximos. Mas, as infiltrações, que assolam muitas residências, nem sempre são provenientes da construção. A falta de manutenção e a informalidade das pessoas ao construir um puxadinho – que antes não era regulamentado pela prefeitura -, por exemplo, acabam prejudicando a impermeabilização do telhado.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.