24/08/2007

FGTS torna dinheiro mais barato

Fonte: Jornal da Tarde

Regras obrigam que juro para financiamento de imóvel seja mais barato com dinheiro do Fundo

Paulo Libert/AEZap o especialista em imóveisSomente neste ano, o Conselho Curador do FGTS aplicou R$ 1,2 bilhão para a concessão de subsídios

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Especialistas do setor imobiliário concordam que esse é um dos melhores momentos das últimas décadas para a compra da casa própria. O alongamento dos prazos, a redução dos juros e a estabilidade financeira do País são fatores determinantes que tornam os financiamentos habitacionais atrativos e muito mais próximos da classe média. Soma-se a isso a forte injeção de recursos do governo para incluir entre os proprietários de imóveis as classes menos favorecidas.

Para entender qual é a melhor linha de crédito para cada faixa de renda é preciso entender de onde vêm esses recursos que são emprestados. As instituições financeiras possuem diversas linhas de financiamento imobiliário. O Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) capta recursos do mercado e os oferece para financiar imóveis, com taxas de juros livres – geralmente acima de 12% ao ano.

Já o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) utiliza os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) – das contas de poupança – e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Essa modalidade de empréstimo deve seguir normas estabelecidas pelo governo, como por exemplo, juros menores que 12% ao ano e valor máximo de empréstimo de R$ 245 mil, para imóveis novos ou usados. O mutuário também não pode ter outro imóvel financiado pelo mesmo sistema.

A diferença é que o SBPE pode ser utilizado por qualquer banco que opere cadernetas de poupança. Quem determina o valor a ser investido nesse tipo de financiamento é o Conselho Monetário Nacional. As regras exigem que a instituição financeira aplique 65% desses recursos para o financiamento imobiliário. Desse total, 52% deve ser destinado aos empréstimos pelo SFH, e os 13% restantes podem ser aplicados para qualquer tipo de financiamento imobiliário, como as carteiras hipotecárias, que tem juros livres.

Já, as linhas de crédito com recursos do FGTS são um pouco mais rígidas. É o conselho Curador do FGTS quem determina as regras para essa linha de empréstimo. Atualmente, somente a Caixa Econômica Federal e a Nossa Caixa oferecem essa modalidade.

A vantagem é que é possível conseguir desconto em forma de subsídio para as famílias com renda familiar de até R$ 1.875. Além disso, os juros são de 6%, ante 8,16% e 8,66% nas faixas de renda acima.

Somente neste ano, o Conselho Curador do FGTS aplicou R$ 1,2 bilhão para a concessão de subsídios e no dia 16 deste mês foi necessário injetar mais R$ 600 milhões, pois todos os recursos já haviam sido emprestados, beneficiando as famílias que recebem até cinco salários mínimos.

Para a classe média, que ganha acima de cinco salários, também houve mudanças , que possibilitaram que mais pessoas pudessem recorrer a essa linha de empréstimo, com recursos do FGTS.

“Atualmente a população tem mais condições de se endividar. Com o aumento dos prazos para pagar os financiamentos, a prestação diminui e cabe no bolso de um número maior de pessoas”, diz o superintendente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves.

O tomador do empréstimo pode escolher qual recursos quer utilizar para financiar seu imóvel, mas, Gonçalves ensina que os bancos já costumam indicar a linha mais favorável.

‘…Ainda estamos engatinhando’

Embora a concessão de crédito imobiliário no Brasil esteja em um dos seus melhores momentos, ainda representa menos de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em países como Espanha, Portugal e Inglaterra, esse porcentual chega a 50% .

“Ainda estamos engatinhando. A perspectiva é de que ainda vamos chegar a 10% ou 15% do PIB”, afirma o superintendente técnico da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves.

Nos primeiros sete meses do ano, somente o volume de operações contratadas com recursos das contas de poupança pelos agentes que atuam no SBPE totalizou R$ 8,52 bilhões, superando em 71,81% o volume contratado no mesmo período de 2006.

“O momento é bastante favorável e deve continuar assim nos próximos três ou quatro anos”, assegura Gonçalves.

“A estabilidade financeira do País está permitindo que o cidadão, especialmente, o de classe média, faça planos a longo prazo. E, diante da grande lucratividade dos bancos, cresce o volume de financiamentos”, afirma o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), José Roberto Graiche. Gonçalves concorda. “É preciso lembrar que o retorno desses empréstimos são fonte de recursos para novas operações.”

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