10/08/2007

Fiança é alvo de estelionatários

Fonte: Jornal da Tarde

Golpe no mercado de locação é o mais comum; vítimas só descobrem após a cobrança das imobiliárias

José Luís da Conceição/AEZap o especialista em imóveisEliana, involuntariamente, é ‘fiadora’ de imóveis que nunca viu na vida

Entre todas as fraudes praticadas no mercado imobiliário, o golpe da fiança é, disparado, o mais freqüente no setor. Embora não exista levantamento algum sobre os casos em São Paulo, tanto o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) como a polícia concordam que a ação continua a fazer muitas vítimas no Estado.

“O golpe de falsificação de documentos para fiança é o mais corriqueiro”, diz Fábio Lopes Pinheiro, titular da Delegacia de Repressão a Estelionato do Deic, o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado.

O próprio Creci-SP divulga em seu site uma lista com os nomes de 21 vítimas que tiveram seus documentos indevidamente utilizados por falsos fiadores. “É um alerta ao público e às imobiliárias para que não aceitem essas pessoas como fiadores”, explica o presidente José Augusto Viana Neto.

Na relação, figura o nome da publicitária Eliana Gonçalves, que, desde fevereiro do ano passado, vem sofrendo com a ação de estelionatários. Uma quadrilha usa o nome e os dados pessoais dela para alugar imóveis comerciais onde montam uma casa de massagem. “Nos documentos que eles apresentam à imobiliária, a única coisa que está certa é o registro do meu imóvel, que é público. O meu RG mesmo tem outra foto e filiação”, relata.

Eliana só descobriu ser vítima do golpe quando uma imobiliária do Centro da Cidade ligou cobrando os três meses de aluguel atrasados. “Engraçado que as imobiliárias conseguem me achar quando estão devendo, mas nem me procuram quando estão levantando a ficha para o contrato”, indigna-se. Acusada de dever cerca de R$ 3 mil em aluguéis, a publicitária procurou a polícia.

Embora um inquérito policial tenha sido instaurado, a quadrilha continua atuando. E pior: utilizando Eliana como falsa fiadora. Foram cinco casos em 2006 e mais dois neste ano, todos com imobiliárias diferentes. “A cada três meses tem uma história nova”, lamenta a publicitária que, ainda assim, aconselha a prestar queixa à polícia e avisar o Creci.

Outros casos

Também está na lista das principais ações o golpe da portaria, quando o falso corretor, ao ver no anúncio do jornal que as chaves encontram-se na portaria, leva interessados para ver o imóvel, fazendo o papel de corretor. Ele convence o locatário a pagar uma taxa para reservar o imóvel e desaparece.

Além desse, tem o golpista que se diz corretor na portaria do prédio para entrar no imóvel e fazer um molde de cera com a chave e ter acesso livre. Segundo o presidente do Creci, outro problema é o fiador profissional que acaba assumindo mais fianças do que suporta e prejudica os proprietários.

 

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