20/01/2008

Ficou fácil financiar a reforma

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para a classe baixa, no entanto, os recursos disponíveis na CEF caíram mais de 60%

Nilton Fukuda/AEZap o especialista em imóveis

Financiar o material de construção ficou mais fácil. Além de linhas específicas nos bancos privados, há o financiamento feito pelas lojas, em alguns casos sem juros, e convênios que facilitam a operação.

“Na Nikon fazemos o pagamento em até 10 vezes sem juros, no cheque. Mesmo perdendo dinheiro, vale a pena, pois viabiliza a venda”, conta o superintendente da rede de lojas de materiais de construção, Hiroshi Shimuta. Os pagamentos à vista têm desconto de 5%.

No programa João de Barro, João de Barro, firmado entre a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) e o Bradesco, também há a possibilidade de parcelamento em 10 vezes sem juros, mas o programa está restrito a clientes do Bradesco e lojas conveniadas à Anamaco ou às associações de lojistas regionais. Os juros vão de 1,89% ao mês a 3,49% ao mês. O acesso se dá pelo cliente de relacionamento do Bradesco, que recebe o orçamento da reforma ou obra. A compra é feita com o protocolo de aprovação do crédito. No site da Anamaco (www.anamaco.com.br) há um simulador onde o consumidor consegue verificar as condições e valor das parcelas.

O Construcard, restrito a correntistas da Caixa Econômica Federal, tem juros de mercado, mas a operação é mais vantajosa. Depois de ter o crédito aprovado, o correntista recebe um cartão magnético válido por seis meses, que pode ser usado em qualquer loja credenciada. São duas fases, de utilização (de dois a seis meses) e de amortização (de 1 a 40 meses).

A CEF oferece ainda a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Ser4viço (FGTS), por meio de carta de crédito individual, que agora também pode ser feita no modelo do Construcard. A linha está restrita a pessoas com renda familiar mensal bruta de R$ 380,00 a R$ 1.900,00, apurada na data da avaliação de risco, que pretendam construir, terminar ou melhorar sua casa.

O Construcard FGTS cobre também os gastos de mão-de-obra, por meio de um acréscimo de 15% do valor total do orçamento, desde que o valor final fique dentro dos limites aprovados. Os juros são os mais baixos do mercado: 6% ao ano para renda até R$ 1.875,00 e 8,16% ao ano para quem ganha de R$ 1.875,01 até R$ 1.900,00. É exigida a comprovação da titularidade do imóvel.

Baixa renda 

O problema das linhas de financiamentos que usam os recursos do FGTS e que prevêem subsídios, como é o caso do Construcard FGTS, é a escassez de recursos. Em 2007, volume total contratado para a linha foi de R$ 313.400,70, 61,8% menor do que o aplicado em 2006. “Os resultados de forma geral foram pífios. Foi a pior performance dos últimos 10 anos”, reclama Claudio Conz, presidente da Anamaco e membro do Conselho Gestor do FGTS. A queda no número de contratos com relação a 2006 foi de 51,2%. Shimuta reclama também que os gerentes das agências paulistanas dificultaram a operação. “Os clientes voltavam dizendo que não havia verba, ou reclamando da demora e da burocracia. Eu ouvi de um gerente que havia muita inadimplência nessa linha e que as operações estavam suspensas”, conta.

A Caixa, por meio de sua assessoria de imprensa, confirma a queda, que foi de 46% em todas as linhas. A maior redução ocorreu no Construcard Fat, que usa os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo a CEF, o conselho do Fat não liberou recursos em 2007. A queda foi de 80,8%.

Na linha do FGTS, o argumento é a regra de subsídios: para cada R$ 1,00 subsidiado, a Caixa deve conceder outros R$ 4,80 sem subsídio. Com a forte demanda e em virtude do grande volume de aplicações com recursos do FGTS, os subsídios destinados a esta linha se esgotaram já no início do segundo semestre. Conz, no entanto, diz que eles foram direcionados para as parcerias do Ministério da Cidades com Estados e Municípios, para financiar mutirões.

A nota da CEF ainda esclarece: as famílias com renda de até 5 salários mínimos não foram excluídas e responderam por 84% da quantidade de operações firmadas com recursos do FGTS; e que a transferência de recursos para operações coletivas propiciou o atendimento a um grande contingente de famílias com renda de até um salário mínimo que, de outra forma, estaria fora do mercado imobiliário.

Programa João de Barro 

Bradesco/Anamaco

Financia de R$ 500 até R$ 7 mil, parcelados em 6 a 48 vezes.

Os juros variam de acordo com o tempo de financiamento. Para seis meses fica em 1,89%. O mais longo, de 48 meses, terá juros de 3,49%. Restrito a correntistas do Bradesco e às lojas associadas à Anamaco,

Construcard

CEF – Para aquisição de materiais de construção, inclusive armários embutidos, piscina, elevador e aquecedor solar. Mínimo de R$ 1 mil e máximo de acordo com a capacidade de pagamento do cliente. Acima de R$ 180 mil será exigida garantia real. Juros de mercado. Prazo até 40 meses. A linha recebeu R$ 494.052,80 em 2007.

Construcard – FGTS

CEF – Programa Carta de Crédito FGTS com uso do cartão de débito. Para famílias com renda de R$ 380 a R$ 1.900. Financia de R$ 1 mil a R$ 7 mil, com juros de 6% a 8,16 % ao ano. Há também limite de valor venal do imóvel, de R$ 70 mil. Crédito liberado no ato das compras, para transferência automática ao lojista.

Bancos privados 

Real Reforma Fácil/Banco Real – Para imóveis com valor mínimo de R$ 50 mil, financia de R$ 20 mil a R$ 60 mil com taxa de juros de 16% ao ano mais a TR. Os prazos são curtos: de 2 a 5 anos, com comprometimento de até 25% da renda.

BB Crédito Material Construção

Banco do Brasil – modalidade de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para correntistas com crédito pré-aprovado, para compra de materiais básicos e de acabamento. Financia de R$ 100 a R$ 20.000 em até 48 meses. Os juros variam de acordo com os prazos, de 1,94% ao mês (de 2 a 36 meses) a 2,26% (de 37 a 48 meses). Pode ser solicitado na loja.

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