08/06/2008

Financiamento de usados e promoção social

Fonte: O Estado de S. Paulo
Paulo Pinto/AEZap o especialista em imóveisLimitação – Medida atende apenas ao crédito com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

A possibilidade dada ao consumidor de financiar 100% do valor do imóvel usado e utilizar sistema de amortização com prazo de até 30 anos é mais do que uma iniciativa favorável ao mercado imobiliário. Embora atendam somente a compradores de imóveis financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que restringe sua utilização, as novas regras anunciadas no mês passado pela Caixa Econômica Federal não deixam de ser um incentivo capaz de promover movimentos de ascensão social de uma camada da população até então sem acesso ao crédito imobiliário.

A primeira chance de aquisição de um imóvel é também o primeiro passo para que essas pessoas passem a integrar o mercado de comercialização, com a conseqüente melhora em suas auto-estimas. Sendo assim, embora não haja dúvidas de que as novas oportunidades de financiamento afetarão de forma positiva o volume de negócios imobiliários, essa novidade irá beneficiar o mercado muito mais a longo prazo.

De acordo com a nova medida, a Caixa passa a financiar até 100% de imóveis usados, benefício até então dispensado somente às operações com imóveis novos. Além disso, o prazo de pagamento, em alguns casos, pode chegar a 30 anos. A ampliação da cota está em vigor desde o dia 7 de maio, com adoção de porcentual variável em função do sistema de amortização.

Para o pagamento em até 240 meses, o cliente pode financiar até 100% do valor do imóvel. Até 300 meses é possível financiar até 90%. De 301 a 360 meses, a pessoa financia até 80% da quantia total. Os limites dos imóveis, porém, variam de região para região.

Precaução

Mas como sempre ocorre quando medidas assim são anunciadas, o consumidor não deve se empolgar e correr para a realização do negócio sem estar devidamente informado e preparado para isso. É importante, antes de tudo, analisar sua potencialidade de pagamento, realizando um contrabalanço entre a renda e o valor da prestação que irá se obrigar a pagar por um prazo longo.

Um segundo ponto é questionar se há realmente necessidade de utilizar esse prazo, uma vez que, muitas vezes, o valor da prestação não se reduz tão drasticamente por uma diferença de cinco ou até dez anos. Os bancos financiadores dispõem de simuladores que permitem planejar melhor o financiamento.

Existem também cuidados específicos para quem financia um imóvel usado, principalmente quando se trata de imóvel térreo (casa ou sobrado). É comum, nesses casos, haver alguma construção adicional não regularizada na Prefeitura Municipal, o que pode servir como impedimento para a Caixa ou outros bancos concedam o crédito habitacional.

Portanto, escolhido o imóvel, é bom estar certo de que todas as partes estão documentadas para não ser surpreendido no meio do processo burocrático. Também deve-se ter atenção à documentação do vendedor, o que deve incluir todas as certidões que comprovem que aquele imóvel não vai sofrer uma ação regressiva no futuro. Nesse momento, torna-se essencial a orientação de um corretor de imóveis.

*João Teodoro da Silva é presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci)

 

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